Carro elétrico é mais fácil de roubar? Entenda alta de roubos e furtos de eletrificados
Com alta superior ao crescimento da frota, roubos e furtos de eletrificados saltam nas capitais do Brasil e exigem atenção redobrada dos proprietários
Publicado em 06/09/2026 às 15h00
O aumento de veículos elétricos e híbridos nas ruas brasileiras trouxe um efeito colateral indigesto para os proprietários: a disparada nos índices de roubos e furtos. Dados do setor apontam que o volume de ocorrências envolvendo essa categoria mais que dobrou em alguns estados como São Paulo e Rio de Janeiro.
O problema é que o ritmo de crescimento dos crimes supera a própria expansão do mercado de eletrificados. Então surgem os questionamentos: quais os motivos para essa alta? É possível evitar esses crimes? Nesta matéria você confere o que está por trás dessa onda de subtrações.
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Disparada nos números supera o crescimento da frota
Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), a frota acumulada de veículos eletrificados no Brasil passou de 445,9 mil unidades em maio de 2025 para 765,9 mil no mesmo mês de 2026, representando uma alta de 71,7%.
No estado de São Paulo, levantamentos da empresa de telemetria Ituran Brasil com base em dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) revelam um forte aumento no volume de subtrações:
- Um comparativo dos períodos de janeiro a maio de 2025 e janeiro a maio de 2026 registrou um salto de 44 para 101 ocorrências no estado, o que representa uma variação de 129%.
- Em outro estudo da mesma entidade para o mesmo período, foram contabilizados 107 registros em 2026 contra 53 em 2025, indicando uma alta de 101%.
- A capital paulista concentrou a maioria dos casos no estado, somando 74 registros entre janeiro e maio de 2026.
Para Ricardo Bastos, presidente da ABVE:
A frota circulante aumentou ao mesmo tempo que o consumidor entendeu a tecnologia, ele ‘perdeu o medo’. E a gente sabe que do outro lado os bandidos também começaram a entender melhor o carro elétrico e o eletrificado. Normalmente o bandido prefere um carro que ele já conheça.”
Desse modo, o executivo destaca que a alta nos números de roubos e furtos de eletrificados não significa que eles sejam mais vulneráveis em relação aos carros a combustão, mas sim que os criminosos estão mais familiarizados com esses modelos. Hoje eles passaram a conhecê-los e sabem do alto valor de mercado que muitos possuem.
Eu acredito que não seja mais fácil nem difícil porque hoje os carros, mesmo a combustão, possuem toda a parte de segurança deles com um conteúdo eletrônico muito forte. Comparando os carros mais modernos, aqueles que tem chave presencial, por exemplo, hoje não tem muita diferença no hora de ter o acesso, ligar o carro e furtá-lo. Os sistemas de segurança têm uma eletrônica muito semelhante.”
Baterias e ação de desmanches
A bateria é a principal e mais valiosa peça dos carros elétricos e híbridos plug-in. Apesar disso, dados oficiais mostram que não há roubos e furtos somente desse componente em si em razão das barreiras técnicas e dos riscos na hora do crime.
O conjunto de células fica instalado no assoalho, integrado à estrutura do veículo e fixado por dezenas de parafusos, além de que o sistema opera com tensões altíssimas, exigindo desenergização do circuito e ferramentas com isolamento elétrico para retirada. Qualquer falha pode gerar choque elétrico fatal ou incêndios. Fora que o pacote de baterias pesa entre 300 kg e 500 kg, demandando elevação do carro e plataforma de suporte.
Diante disso, o modus operandi dos bandidos consiste em furtar ou roubar o veículo inteiro e transportá-lo. Ricardo Bastos aponta que a desmontagem para desmanche e venda no mercado paralelo pode acontecer para peças comuns e para a parte elétrica do veículo. No entanto, ele pontua que o grau de dificuldade para retirar a bateria é alto, pois se trata de um item muito sensível e de operação complexa, que exige um enorme controle de segurança.
Além disso, a autoridade da ABVE aponta que muitas das baterias produzidas atualmente são rastreáveis e contam com sensores eletrônicos e características muito específicas de cada montadora, o que facilita o seu rastreio.
Inclusive, Bastos não recomenda que os proprietários de eletrificados comprem essas peças em sites ou mercados paralelos caso necessitem substituir a bateria, em razão da origem desconhecida e da complexidade da instalação. Para o executivo, é fundamental que esse procedimento seja realizado pela fabricante do modelo.
Furto de cabos de carregadores
Além dos veículos, os carregadores de modelos eletrificados também estão sendo alvo de uma série de furtos, que inutilizam os aparelhos. Atraídos pela valorização do cobre no mercado clandestino de sucatas, criminosos cortam a fiação dos eletropostos com poucas ferramentas em ações que duram menos de 30 segundos, como registrado recentemente em Curitiba (PR), Florianópolis (Coqueiros, SC) e Brasília (DF).
Isso é facilitado pelo fato de que esses dispositivos estão expostos em áreas externas, estacionamentos e locais de circulação pública. Segundo Arthur Carrão, CEO da Recharge Brasil, empresa de engenharia e eletromobilidade, para evitar os roubos e reduzir os prejuízos, as empresas de recarga veicular já estão aplicando algumas estratégias e adaptações. No Brasil, as soluções consistem em:
- Reforço Físico: revestimento do cabeamento com cabos de aço ou malhas ou presas à estrutura do carregador para impedir o corte.
- Compartimentos protegidos: cabos ficam abrigados em um compartimento específico que só abre quando o cliente libera o carregador por meio de um QR Code.
Comportamento preventivo ao dirigir e acessar o veículo para evitar assaltos
A postura do condutor em momentos de transição e durante o trajeto é determinante para diminuir a exposição a riscos e desencorajar um assalto.
- Aproximação atenta: ao se dirigir ao carro, observe o entorno e esteja com as chaves em mãos (exceto em sistemas de chave de aproximação). Evite distrações como conversas ao celular ou a busca por objetos na bolsa ao lado do veículo.
- Agilidade no embarque: entre, trave as portas imediatamente, ligue o motor e coloque o veículo em movimento o quanto antes. Já deixe itens como espelhos ou objetos pessoais organizados e ajustados dentro do carro, pois quanto menor o tempo parado, menor a vulnerabilidade.
- Atenção no trânsito: mantenha os vidros completamente fechados e evite colocar os braços para fora. Ao notar o semáforo fechado à frente, reduza a velocidade gradativamente para evitar a parada total, especialmente no período noturno.
- Posicionamento nas vias: priorize as faixas centrais, que ficam mais distantes das calçadas e dificultam abordagens a pé.
- Gerenciamento de imprevistos: caso o pneu fure ou o vidro seja atingido por pedras em locais isolados, não pare imediatamente; prossiga até um local seguro e movimentado, como um posto de combustível. Da mesma forma, evite parar para prestar auxílio em áreas desertas ou abrir o vidro para ajustar o retrovisor.
- Planejamento de rotas: verifique o trajeto no GPS antes de partir e evite desvios por bairros ou vias desconhecidas apenas para economizar poucos minutos.
Cuidados ao estacionar e proteção de objetos de valor
A oportunidade para a ação criminosa muitas vezes surge da exposição de itens valiosos e do estacionamento em locais inadequados. Por isso fique atento para os seguintes fatores:
- Escolha do local de estacionamento: dê preferência a vias bem iluminadas, movimentadas e visíveis. Ao aguardar passageiros, evite permanecer parado dentro do carro; realize uma volta no quarteirão ou aguarde em um local seguro fora do veículo.
- Ocultação de pertences: não deixe bolsas, mochilas, celulares ou relógios sobre os bancos. Guarde seus pertences no chão do veículo ou no porta-malas. Acomode os objetos no porta-malas antes de chegar ao destino final para evitar que observadores no estacionamento identifiquem o conteúdo.
- Acesso à residência: a instalação de portões automáticos reduz a exposição na chegada ou saída de casa. Caso note pessoas suspeitas no quarteirão, dê mais uma volta antes de entrar na garagem.
- Trancamento e chaves: verifique sempre se as portas e janelas estão travadas. Nunca deixe a chave na ignição, o veículo ligado desacompanhado ou chaves sobressalentes escondidas no porta-luvas ou sob o veículo.
Dispositivos tecnológicos e equipamentos de segurança
O uso de equipamentos complementares atua como elemento de dissuasão e auxilia na recuperação do bem em casos de furto ou roubo. São bons exemplos:
- Películas antivandalismo: aplicadas nos vidros, dificultam a quebra e o estilhaçamento do material contra impactos de pedras ou objetos, retardando a invasão do habitáculo. Vale ressaltar que a película não possui propriedade de blindagem contra armas de fogo.
- Alarmes e dispositivos visíveis: dispositivos sonoros atraem atenção indesejada ao criminoso. Recursos visuais, como travas de volante, gravação do número de identificação nos vidros e luzes indicadoras de alarme, desestimulam tentativas de arrombamento.
- Sistemas imobilizadores e bloqueadores: chaves inteligentes com corte de ignição e interruptores de segurança desativam os sistemas do veículo, impedindo que ele seja colocado em funcionamento sem autorização.
- Rastreadores e localizadores: equipamentos que utilizam tecnologia sem fio e GPS transmitem sinais para centrais de monitoramento e autoridades policiais, permitindo a localização e a recuperação mais ágil do automóvel roubado.
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