[0 km x usado] Hyundai HB20 turbo x Fiat Bravo T-Jet 2015/16

Um 1.0 turbinado, na versão Comfort Plus, mede forças com um médio seminovo com pegada mais esportiva; preço aproximado é de R$ 53 mil

Por Fernando Miragaya26/10/18 às 08h30
Especial para o AutoPapo

Houve uma época em que turbo era sinônimo apenas de performance. Mas a tecnologia passou a ser usada na busca por eficiência. Aqui temos de um lado o HB20 0 km, compacto da Hyundai com motor 1.0 turbinado que oferece justamente baixo consumo. Do outro, o Fiat Bravo com três anos de uso em sua divertida e arrojada versão T-Jet. Veja qual proposta turbinada faz a sua cabeça.

Desempenho e prazer ao dirigir

Fiat Bravo T-Jet 2015/16 já raz visual reestilizado, além do motor 1.4 turbo de 152 cv de potência
HB20 Bravo
3 ★★★☆☆ 4 ★★★★☆

O turbo estreou no Hyundai na linha 2016. O três cilindros trabalha muito bem em baixas rotações, com respostas rápidas e bom entrosamento com o câmbio manual de seis marchas. Isso resulta em um carro sempre bem disposto na cidade, seja no trânsito pesado ou em ladeiras. Na estrada é possível fazer uma graça, pois o turbo entra cedo, mas não espere solavancos nas arrancadas ou retomadas. Além disso, a partir 60 km/h até os 90 km/h o carro custa a embalar.

O hatch médio da Fiat e bem mais divertido nesse quesito, e geralmente em condições opostas ao HB. Não espere arrancadas viscerais do 1.4 16V de 152 cv. O motor só desperta mesmo acima dos 2.000 giros. Ai é pisar e deixar o turbo fazer o resto. Ainda tem a teclinha Overboost no console central que entrega 2 kgfm extras ao torque de 21,1 kgfm e deixa o pedal do acelerador mais responsivo por um tempo determinado. Bom para aquela ultrapassagem na rodovia.

Segurança

Hyundai HB20 com motor 1.0 turbinado, além de ser 0 km,tem como destaque o baixo consumo de combustível
HB20 Bravo
3 ★★★☆☆ 4 ★★★★☆

O HB20 tem um acerto mais macio no rodar e isso é percebido principalmente nas curvas mais fechadas, onde o compacto tende a sair de frente e a carroceria torce além do esperado. Nas retas em altas velocidades o comportamento dinâmico é competente, apesar de a direção com assistência elétrica merecer melhor precisão. Em equipamentos, a Comfort Plus sai de fábrica apenas com Isofix alem dos obrigatórios airbag duploe ABS.

A versão T-Jet do Bravo nem parece um Fiat no que diz respeito à suspensão. Com acerto firme, ajuda a segurar bem o modelo nas curvas. A direção elétrica fica mais firme ao apertar o Overboost, mas merecia calibragem mais pesada em altas velocidades. No geral, trata-se de um carro bem equilibrado, só que com poucos itens de série de segurança interessantes para um médio. Tem controles de estabilidade e tração, assistente a partida em rampas, sensor de ré e Isofix. Porém, é possível encontrar seminovos com opcionais como dois airbags laterais dianteiros, câmera de ré, sensor de pneus, sensor de estacionamento dianteiro e faróis de xenon com ajuste de altura. Em média, custam R$ 1.500 a mais.

Espaço interno e conforto

Fiat Bravo T-Jet 2015/16 já raz visual reestilizado, além do motor 1.4 turbo de 152 cv de potência
HB20 Bravo
3 ★★★☆☆ 3 ★★★☆☆

O HB20 é um compacto e como tal oferece espaço na medida para o pessoal da frente. Motorista tem posição de dirigir bem ajustada e ergonomia satisfatória, mas o volante não oferece ajustes nesta versão. O banco traseiro é bem limitado e acomoda apenas dois adultos, com vão quase exato para pernas e joelhos. O acabamento interno destaca-se em meio à categoria, com fechamentos e encaixes precisos, e plásticos que agradam aos olhos e ao toque. O isolamento acústico funciona ate os 90 km/h. A suspensão absorve bem os buracos.

O Bravo deixa motorista e carona mais à vontade com joelhos e ombros. O condutor tem posição mais baixa de dirigir e bem alinhada com a direção e os principais comandos. Contudo, o volante grande depõe contra qualquer esportividade. Atrás, dois adultos e uma criança conseguem se acomodar, mas os passageiros das pontas vão raspar a cabeça no teto devido ao caimento da terceira coluna. O acabamento é correto, mas sem sofisticação e o isolamento acústico é eficiente em boa parte do tempo. A suspensão mais dura reflete os buracos na cabine.

Equipamentos

Hyundai HB20 com motor 1.0 turbinado, além de ser 0 km,tem como destaque o baixo consumo de combustível
HB20 Bravo
2 ★★☆☆☆ 4 ★★★★☆

A Comfort Plus é a topo de linha entre os HB20 com motor 1.0 mas isso não se traduz em fartura de equipamentos. Ar-condicionado, direção hidráulica, trio, computador de bordo, chave tipo canivete, banco do motorista com ajuste de altura e encosto traseiro rebatível são os itens principais. O destaque fica mesmo para a central multimídia blueMedia com tela de 7 polegadas, TV digital, conectividade com smartphones, Bluetooth, USB e comando por voz.

O Fiat sobra na comparação. A versão T-Jet era equipada co  ar automático bizona, direção elétrica, trio, controle de cruzeiro, teto panorâmico, volante com ajustes de altura e profundidade, regulagem de altura do banco do motorista, encosto traseiro bipartido, rodas de liga leve aro 17” e faróis de neblina. É fácil encontrar usados ainda com couro, sensores de chuva e luminosidade, retrovisor eletrocrômico e GPS. O sistema multimídia UConnect desagrada pela tela pequena de 5” e ainda não oferecia espelhamento de celular, mas integra Bluetooth, USB e comandos de voz.

Desvalorização

HB20 Bravo
4 ★★★★☆ 4 ★★★★☆

O compacto da marca sul-coreana tem perda normal de 8,9% após um ano, segundo a Fipe. Além disso, tem boa liquidez e já carrega a reestilização e o motor turbo. O Bravo tem perda leve de 4,2% e a versão T-Jet é bem valorizada, além de a linha 2016 ter passado por face-lift. Mas carrega o karma de um modelo que já saiu de linha.

Manutenção e pós-venda

Fiat Bravo T-Jet 2015/16 já raz visual reestilizado, além do motor 1.4 turbo de 152 cv de potência
HB20 Bravo
4 ★★★★☆ 2 ★★☆☆☆

As seis primeiras revisões do HB20 somam R$ 3.068 até os 60.000 km, umas das mais baixas do segmento. Nas peças, preços também esperados para um compacto: R$ 429 pelo jogo com dois amortecedores traseiros, R$ 261 pelo kit com quatro pastilhas de freios dianteiros, R$ 539 pelo farol direito, R$ 547 pela lanterna esquerda, R$ 412 pelo retrovisor externo esquerdo e R$ 2.866 pela bomba de combustível.

No Bravo, manutenção e peças são bem mais salgadas. As seis visitas a concessionária (dos 40.000 km aos 90.000 km) totalizam R$ 5.464. Ao mesmo tempo, o par de amortecedores traseiros custa R$ 1.145, o jogo de pastilhas, R$ 259, e o farol, R$ 2.085. Já a lanterna sai por R$ 1.012, o retrovisor, R$ 617 e a bomba de combustível, R$ 1.697.

Consumo

HB20 Bravo
4 ★★★★☆ 2 ★★☆☆☆

Pelo Inmetro, o Hyundai levou nota máxima A na categoria e B, no geral, com médias na cidade e na estrada de respectivamente 8,2 e 10,1 km/l com etanol e de 11,6 e 14,3 km/, com gasolina. No Bravo 2016, o consumo com gasolina ficou em 9,0 e 10,4 km/l, notas C e E.

Porta-malas

Hyundai HB20 com motor 1.0 turbinado, além de ser 0 km,tem como destaque o baixo consumo de combustível
HB20 Bravo
3 ★★★☆☆ 3 ★★★☆☆

O espaço de 300 litros do HB20 leva uma mala media e alguns pequenos volumes. O do Bravo é um pouco maior: 378 l.

Veredito: Hyundai HB20 turbo x Fiat Bravo T-Jet 2015/16

HB20 Bravo
26 26

Cada carro ganha justamente em suas propostas distintas e por isso o empate é justo. O HB20 é um modelo mais apropriado para o uso urbano, com fôlego em baixos giros, bom nível de dirigibilidade e consumo elogiável. É racional, mas tem um dos seguros mais caros do pedaço. Já o Bravo conquista justamente pelo desempenho como um todo, no acerto mais firme e na lista de equipamentos. É para quem gosta de curtir carro, mas lembre-se que saiu de linha tem mais de dois anos.

Fotos: Hyundai e Fiat | Divulgação

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