Matando o jejum

Por Boris Feldman 12/06/17 às 17h15

Teste de um carro tem que começar abrindo-se a porta.

O óbvio, no caso do Argo, foi revelador e me lembrei do mineiro Toninho da Matta, que foi um dos melhores pilotos brasileiros. Ele diz que, mesmo ao dirigir um carro na reta, dá para sentir seu comportamento na curva…

A porta se fecha silenciosa, precisa e macia. Coisa de modelo germânico premium e que deu para pressentir o salto de qualidade da Fiat no projeto do Argo, provavelmente o melhor carro já produzido pela marca no Brasil.

O hatch médio substitui Punto e Bravo e tem condições de disputar com Hyundai HB20 e Chevrolet Onix a liderança do mercado brasileiro. Seu acabamento é primoroso, a eletrônica atualizada, a mecânica incorpora conceitos atuais e não fica nada a dever em termos de segurança. Tem medidas semelhantes aos hatches da Hyundai e GM, mas o capricho no projeto resultou em superioridade no espaço interno e volume do porta-malas.

O estilo não é arrojado mas moderno e agrada a gregos e troianos. Tem um pouco do Mobi, do novo Tipo italiano e detalhes de Alfa Romeo na traseira.

Rodar com o Argo traz o prazer de dirigir uma “macchina” e se percebe o inigualável acerto italiano que deixa a suspensão macia e confortável, mantendo ótima estabilidade. O carro transmite sensação de solidez difícil de ser percebida (até então) num Fiat.

Desta vez a engenharia de Betim não aproveitou quase nada de antigos projetos e investiu numa nova plataforma com maior rigidez torcional. O carro passa a impressão de ter sido projetado para abrigar um haras bem mais poderoso sob o capô.

São três motorizações: 1.0 tricilíndrico (77 cv), 1.3 de quatro cilindros (109 cv) e o 1.8 de 139 cv, mesmo da picape Toro. O primeiro só oferece câmbio manual, o segundo dispõe também de um automatizado (um Dualogic de nova geração chamado GSR). O mais potente vem equipado ainda com uma caixa automática tradicional de seis marchas. Ou seja, nada de soluços…

O painel é moderno e no centro está uma tela multimídia destacada de 7″ que copia a solução do novo Mercedes Classe A é capaz de ler celulares IOS ou Android.

O Argo mira também o Polo, que a Volkswagen volta a fabricar no Brasil ainda este ano. E, assim como os alemães já anunciaram sua versão sedã (vai se chamar Virtus), os italianos confirmam esta versão do Argo a ser produzida no início de 2018 na Argentina.

O modelo de melhor relação custo/benefício será o 1.3, até por ter preços coerentes com os concorrentes. O 1.0, começando de R$ 46.800, ficou salgado em relação ao HB20, por exemplo.

No lançamento para a imprensa, não estava disponível o 1.0: esperteza da Fiat pois seus 77 cv vão sofrer com seus 1.200 kg. O desempenho do 1.3 é muito bom e do 1.8 melhor ainda. Mas, tudo tem seu preço…

OS MOTORES

– Firefly 1.0 tricilíndrico de 72 (G)/ 77 (E) cv de potência e 10,4 (G) /10,9 kgfm (E) de torque

– Firefly 1.3 com potência de 101 (G)/ 109 (E) cv e 13,7 (G)/ 14,2 (E) kgfm de torque

– E.torQ 1.8 16V Evo VIS de 135 (G)/ 139 (E) cv e 18,76 (G)/ 19,3 (E) kgfm de torque

OS PREÇOS SEM OPCIONAIS

Fiat Argo 1.0 Drive manual: R$ 46.800
Fiat Argo 1.3 Drive manual: R$ 53.900
Fiat Argo 1.3 Drive automatizado: R$ 58.900
Fiat Argo 1.8 Precision manual: R$ 61.800
Fiat Argo 1.8 Precision automático: R$ 67.800
Fiat Argo 1.8 HGT manual: R$ 64.600
Fiat Argo 1.8 HGT automático: R$ 70.600

*A Fiat não divulgou o preço da versão 1.8 Opening Edition Mopar, limitada a 1.000 unidades.

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