5 carros com motor refrigerado a ar que não são da VW

O velho besouro fez sua fama por não precisar de radiador, porém outras marcas também usaram essa solução no passado

Propaganda antiga Volkswagen Fusca
A frase "o ar não ferve" é usada pelos fãs até hoje (Foto: Volkswagen | Divulgação)
Por Eduardo Rodrigues
Publicado em 05/10/2026 às 07h00

Ter o motor refrigerado a ar é uma das características mais marcantes do Volkswagen Fusca. A marca alemã até usava isso como argumento de vendas, com o célebre slogan “o ar não ferve”. Em uma época onde os sistemas de arrefecimento não eram tão confiáveis, isso foi um belo argumento de vendas.

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A refrigeração a ar simplifica o motor, pois reduz a quantidade de componentes. A contrapartida fica na potência específica menor e no funcionamento mais ruidoso. Eles também emitem mais poluentes, o que foi o principal motivo para serem abandonados em carros.

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Mas o motor refrigerado a ar não era uma exclusividade da Volkswagen ou da Porsche, outra marcas usaram essa solução no passado. Listamos aqui cinco carro bem diferentes com esse tipo de propulsor.

1. Chevrolet Corvair

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Ele foi a resposta da GM ao Fusca (Foto: Chevrolet | Divulgação)

A General Motors fazia apenas carros grandes até o final dos anos 1950. Seu modelo de entrada em 1959 era o Chevrolet Biscayne, um sedã de 5,37 m de comprimento que se diferenciava do Bel Air e do Impala apenas pelo acabamento simples.

Nessa época os carros compactos europeus começaram a conquistar um espaço no mercado norte-americano e o líder desse movimento era o Fusca. A General Motors criou um programa de carros compactos nas suas divisões Chevrolet, Pontiac, Buick e Oldsmobile, cada uma buscou soluções diferentes.

A da Chevrolet foi copiar a fórmula do Fusca para o seu Corvair, mas com uma embalagem maior — afinal, estamos falando dos EUA. O motor era um boxer refrigerado a ar, mas com seis cilindros no lugar de quatro.

O Corvair também imitava a suspensão traseira por semieixos oscilantes, que altera a cambagem através do curso e tornava a dirigibilidade traiçoeira. A família do Corvair tinha sedã de 4 portas, cupê, conversível, perua, furgão e picape. Ele tinha até versões turbinadas.

Ele iniciou com boas vendas, mas despencaram com o lançamento do livro “Inseguro a Qualquer Velocidade”, que mostrava sobre falhas de segurança nos carros americanos. A segunda geração veio em 1965 com desenho mais moderno e suspensão traseira por braços semiarrastados como no Corvette. Mas a má fama já estava estabelecida.

2. Citroën GS

citroen gs branco frente parado
O GS trazia as inovações do DS em um pacote menor (Foto: Citroën | Divulgação)

O revolucionário carro popular da Citroën, o 2CV, já trazia um motor de 2 cilindros boxer refrigerado a ar. Mas para essa lista escolhemos um modelo mais moderno, que foi o último carro da marca sem radiador, o GS.

Esse hatchback compacto familiar é fruto da era mais inventiva da Citroën. O GS tinha desenho aerodinâmico assinado por Robert Opron, tração dianteira, suspensão hidropneumática e motor boxer de 4 cilindros refrigerado a ar.

O Citroën GS foi produzido de 1970 a 1968 e foi um sucesso, com 2,5 milhões de unidades vendidas. Ele chegou a ser feito na Indonésia, na Tailândia, na Iugoslávia, no Moçambique e no Zimbábue. Esse carro também chegou a ser feito com motor rotativo, mas foi um experimento que durou pouco.

3. Toyota Sports 800

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O primeiro esportivo da marca japonesa pesava menos de 600 kg (Foto: Toyota | Divulgação)

A Toyota teve uma série de carros populares nos anos 60 chamados de Publica, todos com motores 2 cilindros boxer refrigerados a ar. Eram unidades pequenas de apenas 700 e 800 cm³, bastante simples para ajudar na mobilidade do Japão pós-guerra.

Mas o nosso destaque aqui vai para o carro esportivo que a Toyota fez sobre a base do Publica, o Sport 800. Esse pequeno targa de apenas 3,58 m de comprimento e 580 kg usava o 2 cilindros refrigerado a ar de 800 cm³ e 45 cv.

Ele rivalizou com o Honda S500, o primeiro carro da marca japonesa que se tornou a maior rival da Toyota. A produção foi de apenas 3.131 unidades, mas estiam que apenas 10% deles sobreviveram.

4. Tatra T700

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O T700 foi o último de uma longa linha gem de sedãs luxuosos com motor V8 traseiro (Foto: Tatra | Divulgação)

Hoje a Tatra é um fabricante especializado em caminhões para aplicações fora de estrada. Essa empresa da República Tcheca tinha a tradição de usar motores refrigerados a ar, incluindo as unidades V12 turbodiesel.

Em paralelo com os pesados ela fazia carros de luxo que usavam motores V8 refrigerados a ar e montados na traseira. A versão final dessa linhagem apareceu em 1996 com o T700, que por sua vez era uma evolução do 613 de 1974.

Sim, em meados dos anos 1990 era feito um sedã com motor V8 4.4 traseiro a ar de 234 cv que buscava competir contra o moderno Mercedes-Benz Classe S. Não é uma surpresa saber que produziram apenas 75 unidades e que a partir daí a Tatra passou a focar nos caminhões.

5. Honda 1300

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Soichiro Honda exigiu que o motor do primeiro carro familiar da marca fosse refrigerado a ar e silencioso (Foto: Honda | Divulgação)

A Honda começou produzindo motocicletas em 1946 e só foi entrar no mercado das quatro rodas em 1963. Portanto era natural para ela usar a refrigeração a ar, solução que está nas motos até hoje.

Após começar com kei cars e esportivos, a Honda resolveu expandir seu portifólio no final dos anos 60 com um carro familiar de padrão global. A ideia era rivalizar diretamente com a Toyota e a Nissan, que já estavam se consolidando fora do Japão.

Soichiro Honda, fundador da marca, era um defensor dos motores refrigerados a ar por serem simples e eliminarem vazamentos. Ele decidiu que o carro familiar usaria esse tipo de refrigeração e lançou o desafio de tornar esse motor tão silencioso quanto um de refrigeração líquida.

O Honda 1300 foi apresentado no Salão de Tóquio em 1970 e trazia um motor 1.3 refrigerado a ar com 100 cv. É uma potência boa até para os padrões atuais e na versão esportiva Coupe9 subia para 110 cv, mais forte que o atual 1.3 Firefly da Stellantis.

Mesmo sendo uma obra-prima da engenharia, o Honda 1300 não fez sucesso com o público e sofreria para atender às normas de emissões que seriam implementadas em breve. Os engenheiros precisaram implorar a Soichiro Honda para que ele permitisse a criação de um motor refrigerado a água, a solução mais simples para reduzir os poluentes.

O fundador da marca permitiu, mas exigiu que resolvessem os problemas de vazamento de água que eram típicos na época. O Honda 1300 recebeu esse motor, criado para o primeiro Civic, após um facelift e durou mais dois anos até dar lugar ao Accord.

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