A pior geração do Toyota Corolla quase fez ele sair de linha

As marcas japonesas passaram por um momento difícil nos anos 90 e o principal carro da Toyota perdeu mercado a nível global

toyota corolla sedan prata oitava geração modelo europeu frente
E também foi o mais feio (Foto: Toyota | Divulgação)
Por Eduardo Rodrigues
Publicado em 09/10/2026 às 07h00

O Toyota Corolla é o carro mais vendido no mundo e lidera o segmento dos sedãs médios no Brasil há mais de duas décadas. Mas nem tudo foram flores na vida desse modelo e ele já teve um ponto bem baixo em sua carreira que quase decretou o seu fim.

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Estamos falando da geração E110, a oitava na linhagem do Corolla. Ele foi lançado globalmente em 1995 e pegou um período de crise no Japão, que afetou no desenvolvimento de carros novos.

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Essa geração chegou em 1995 no Japão e reaproveitou muito da anterior, incluindo as portas (Foto: Toyota | Divulgação)

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Chefiando o projeto da oitava geração estava o engenheiro Takayasu Honda, que entrou na Toyota em 1968. Ele começou a trabalhar com o Corolla em 1977, na última geração de tração traseira e já instruído que a próxima teria tração dianteira.

O projeto da oitava geração chegou em um momento difícil para o Japão e a ordem que veio dos superiores era de cortar custos. Antes dessa bolha estourar os carros japoneses melhoraram muito em qualidade e tecnologia, o desafio de Takayasu Honda era de simplificar o modelo sem perder a qualidade.

O Corolla E110 compartilhava a plataforma com a geração anterior, até mesmo as portas eram as mesmas. Para disfarçar isso usaram um aplique na coluna C para simular uma área envidraçada maior.

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O modelo global foi adiado para 1997, esse de faróis circulares era o europeu e existia um mais simples para os EUA (Foto: Toyota | Divulgação)

As versões para a Europa e os EUA chegaram dois anos mais tarde, em 1997. Esse atraso foi proposital, para priorizar a chegada da nova geração no Japão e depois aplicar melhorias nos modelos para outros mercados.

Além de reaproveitar a plataforma, a oitava geração do Toyota Corolla também não mudou os motores. A família A, introduzida em 1978, era usada nos modelos a gasolina.

Esse motor usava correia dentada no sincronismo e bloco de ferro fundido. Era confiável, como segue a tradição da Toyota, mas já estava ficando ultrapassado diante dos motores mais novos usados pelo Honda Civic.

Mas vamos ser justos com ele, a família A da Toyota ainda brilhava nas versões esportivas. No Japão existia o cupê Corolla Levin usando um 1.6 20 válvulas que rendia 165 cv a 8.400 rpm, o famoso 4AGE.

Ele foi o ponto mais baixo do Corolla no Brasil

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Essa geração chegou ao Brasil com o estilo europeu e motor 1.6, foi um fracasso de vendas (Foto: Toyota | Divulgação)

O mercado brasileiro recebeu o Toyota Corolla europeu na oitava geração, o que quase decretou o fim do sedã por aqui. Essa versão trazia uma dianteira com visual pouco ortodoxo, usando faróis circulares e uma grade mais fechada que foi apelidada de “ralador de queijo”.

Além do visual duvidoso, o Corolla europeu que recebemos trazia motor 1.6, enquanto a geração anterior usava um 1.8 mais potente. Isso impactou nas vendas, hoje é bastante difícil encontrar esse carro nas ruas.

A produção nacional do Toyota Corolla estava programada para começar em 1999 e a marca corrigiu a rota rapidamente. No lugar do estilo europeu veio o japonês, mais conservador e alinhado com o público alvo da marca por aqui.

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Ele foi nacionalizado em 1999 com o visual japonês e com motor 1.8 (Foto: Toyota | Divulgação)

O modelo feito em Indaiatuba (SP) também trazia o motor 1.8. A nacionalização ajudou a melhorar as vendas, mas os emplacamentos ainda eram menores que os do Honda Civic.

A oitava geração do Toyota Corolla foi considerada como um fracasso de vendas a nível global e a marca considerava encerrar a carreira do modelo. Foi o engenheiro Takeshi Yoshida quem convenceu os superiores sobre a importância do modelo para a marca.

A nona geração foi um projeto com tudo novo e focada em melhorar a qualidade do modelo, mas ainda preocupando com os custos. Já contamos em detalhes como ela nasceu, salvou o Corolla de sair de linha e foi a mais vendida na história.

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