Poste doido entrou na frente! Deu pra desviar?

"Todos sabemos que poste não anda, muito menos corre. O que dirá então de um poste enlouquecido que, como um suicida, entra repentinamente na frente de um carro. Papo de gente louca!"

Por Douglas Mendonça 21/05/18 às 15h44

Todos sabemos que poste não anda, muito menos corre. O que dirá então de um poste enlouquecido que, como um suicida, entra repentinamente na frente de um carro? Papo de gente louca! Pois bem, vou contar esse “causo” que ocorreu comigo e com o, hoje, conhecido artista plástico Ciro Cozzolino, no final dos anos 70.

Ciro e sua namorada Xexa compraram juntos um Skoda modelo Octavia Super de 1957. Um carrinho pequeno com câmbio manual de quatro marchas na coluna, tração traseira e duas portas. Em razoável estado de conservação para a época, às vezes, eu e o Ruivo – aquele que caiu no bueiro, lembram-se? – utilizávamos esse carrinho esquisito para irmos para a faculdade de Engenharia que cursávamos.

skoda octavia super: poste doido entrou na frente! Deu pra desviar?

O problema é que o Artista (era assim que eu chamava o amigo Ciro que, na época, já mostrava um grande talento nas artes plásticas, com seus quadros e esculturas, para mim, na época, esquisitos como o carro) não sabia dirigir. E tem essa dificuldade até hoje, depois de velho, com família formada e duas filhas. Num domingo a tarde, o Artista me procurou e perguntou se eu o ensinaria a dirigir com o Skoda. Como, para mim, o ato de dirigir foi sempre algo absolutamente natural, achei que fosse da mesma forma para todos. Prestativo, disse ao Ciro que poderia fazê-lo naquele mesmo instante e que dirigir era tão fácil que em 10 minutos ele já poderia estar conduzindo seu Skoda Octavia Super com a maior facilidade do mundo.

Fomos até o carrinho azul claro ligeiramente desbotado, coloquei o Artista no posto de motorista e me posicionei no banco do passageiro. Dei as instruções básicas de embreagem, freios, acelerador, mostrei a alavanca de marcha sobre o volante e ensinei a ele como deveria operar tudo aquilo. Que pretensão e inocência a minha achar que em cinco minutos de instruções verbais, mostrando o que era o que e para que servia, e a pessoa entendesse e já saísse dirigindo como um motorista profissional.

Há se fosse fácil assim… Todos dirigiriam muito bem e o trânsito seria comportado e civilizado, exatamente como manda a lei. Pois bem, voltemos ao aluno Artista. Ele ouviu o que eu disse e até foi receptivo a tudo. Talvez minhas instruções tenham sido tão seguras que até o aluno acreditou que fossem realmente fáceis.

Motor funcionando, depois de deixar a máquina morrer algumas vezes, controlou bem a embreagem e aceleração e o carro saiu. Viramos a primeira travessa a esquerda para darmos uma volta no quarteirão que eu julgava suficiente para que o motorista aprendesse a dirigir. Que pretensão a minha!

Pois o Artista virou bem a esquerda, conseguiu engatar a segunda marcha e o Skoda ia firme a não mais que 20 km/h em uma rua reta e longa. Eu, um instrutor confiante e seguro do que estava fazendo, estava relaxado e tranquilo pois tudo corria como eu havia planejado. Chegou o momento de virarmos novamente a esquerda, bem vagarosamente, em uma rua curta em que novamente viramos a esquerda para iniciarmos o retorno ao ponto de partida. Tudo sob o mais absoluto controle.

Nessa reta final uma coisa esquisita acontece: o motorista aprendiz subiu com duas rodas na calçada e duas continuaram na rua. Claro, que o carro começou a trafegar torto. Eu estava tão seguro como instrutor que achei que meu aluno estava fazendo uma brincadeira comigo e dirigia daquela forma para me pregar um susto. Dei uma de durão e fingi que tudo ocorria na mais absoluta normalidade. Adiante, tinha um poste e pensei: “Quando chegar bem perto, ele desvia e coloca o carro na rua novamente tentando me pregar um susto”. O poste veio se aproximando e nada acontecia. E eu, dando uma de durão. Até que BUM! Batemos no poste. O susto foi de ambos eu porque achei que ele desviaria e o dele porque não tinha a mínima noção do que estava acontecendo, nem que estava com duas rodas sob a calçada e muito menos que tinha batido em um poste.

Logo após a batida ele me olhou com cara de assustado e perguntou: “O que aconteceu?”

Nesse momento me senti o instrutor mais idiota do mundo e percebi que meu aluno não sabia o que acontecera. Eu, aos berros, disse a ele: “Seu idiota, você acaba de bater em um poste!” E ele me perguntou incrédulo: “Que poste?”

Era um desses postes antigos feitos em ferro fundido do antigo bairro italiano da Moóca, onde tudo aconteceu. O poste não fez um risco sequer, mas o Skoda Octávia Super saiu bem machucado: toda a dianteira direita com grade e para-choque amassados e o farol quebrado. Uma catástrofe para o velho carrinho. E o povo começou sair a rua para ver o que havia acontecido naquela via estritamente residencial. Um caos!

Desci, empurrei o Artista para o banco do passageiro e assumi o comando do carrinho. Tirei ele de lá com uma rapidez que faria inveja a um piloto de Fórmula 1 quando termina sua troca de pneus. Terminei o restinho do trajeto até a porta de sua casa e nos 10 minutos que eu imaginava que ele já estaria dirigindo com a pericia de um profissional, voltamos com a frente do carro completamente danificada do lado direito.

O resultado final não poderia ser pior: o tão querido Skoda Octavia Super quebrado e o Artista tão barbeiro como começou a aula. Eu não poderia ter errado mais! O carro só não ficou mais quebrado porque não batemos a muito mais que 15 km/h e, por sorte, não nos machucamos e não ferimos ninguém. Definitivamente, descobri que não levava o mínimo jeito de instrutor de direção e que dirigir bem não significa ensinar bem a quem queira dirigir. Uma boa lição daquelas que a vida nos dá.

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5 Comentários
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    ciro cozzolino 1 de junho de 2018

    Hahahaha! Esta estória realmente aconteceu, estou vivo pra testemunhar (com algumas sequelas do impacto a 15km/hora), mas naquela época nem havia cinto de segurança, os postes se moviam do lugar, e os automóveis tinham vida própria…eram outros tempos!
    Grande abraço Douglas Mendonça (vulgo Cuca Frouxa)

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    LUIZ GUILHERME BARROS DOS SANTOS 23 de maio de 2018

    Ha uns 45 anos atrás, meu pai tinha um Dodge ’51 e numa 6ª feira de muita chuva no Rio de Janeiro, enfrentando aquele engarrafamento daqueles no acesso ao Tunel Novo indo pra Copacabana, resolveu “encurtar” caminho pela “Ladeira do Leme”. Naquela época as pessoas evitavam a ladeira porque era muito íngreme e os carrinhos da época ( Fuscas, DKW, Gordinis) penavam para subir. Tudo certo, até chegar la em cima e começar a descer em direção a praça Cardeal Arcoverde: Praça alagada e tudo parado. Ficamos presos no meio da descida e …de repente,,, um raio corta o céu e cai numa árvore do morro que , cortada pelo raio, cai e rola morro abaixo, caindo sobre os cabos de alta tensão à esquerda da via. Um impacto enorme, seguido de faíscas por todo lado e com o peso do impacto quase todos os postes envergaram para cima dos automóveis. Quase todos…menos um: que caiu certinho em cima do capô do Dodge !! Ou seja: literalmente estávamos parados e o poste bateu em nós ! Parece absurdo, né? Mas é verdade !!! Ah ! e pra completar, o outro carro que tínhamos era um SKODA OCTÁVIA 1960 , bege, no qual aprendi a dirigir !!!

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    Rodolfo 22 de maio de 2018

    Também passei dois sustos com um amigo de colegial:
    1º )
    Fui ensinar a ele a dirigir o seu 1º carro quando tinhamos 19 anos de idade. Tudo corria bem até que um carro cruzou na nossa frente… pedi pra ele freiar umas três vezes e nada… então no desespero eu mesmo freiei o carro com a minha própria mão acionando o pedal dro freio com a minha mão… repito acinonei o pedal do freio, pois o cara não parava de acelerar!
    2º)
    Fui ensiná-lo a dirigir a minha moto, mas claro acompanhava tudo fora da moto, quando derrepente notei ele não conseguir fazer a volta pra retornar e ir subir numa praça, então gritei umas três vezes para ele freiar e nada… então como eu estava do lado, eu mesmo acionei o freio dianteiro da moto.
    Moral da história:
    Tem gente que não nasceu pra dirigir!

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    Cusato 21 de maio de 2018

    Já passei por isso, Gordo, a gente fica achando que sabe tudo, e que “eles” também vão saber, é melhor chamar a auto escola mesmo! ?????

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    Míriam Bueno da Cunha 21 de maio de 2018

    Rsrsrs muito bom o causo,eu muito, e realmente que dirigi acha mesmo a coisa mais natural, porém quem nunca o fez acha uma coisa de outro mundo kkkkkk

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