Regulagem de farol: entenda por que ela é imprescindível

Faróis alinhados garantem boa visibilidade e segurança no trânsito; em 2018, 2.295 multas foram aplicadas por farol desregulado

Por Laurie Andrade24/09/18 às 13h59

A regulagem de farol, muitas vezes subestimada pelo motorista, é um item relevante na revisão do carro. Os faróis desalinhados diminuem a visibilidade, contribuem para os acidentes de trânsito e colocam em risco a vida dos ocupantes dos carros e terceiros. De acordo com o diretor da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), Dirceu Alves, com o anoitecer, a percepção do motorista cai 50%. Dimensionar espaços, distâncias e velocidades fica mais difícil.

No ano passado, 880 acidentes aconteceram em rodovias federais em razão de restrição da visibilidade. Mais de 97 pessoas morreram e 898 se feriram porque o motorista não conseguia enxergar bem. Alguns desses acidentes poderiam ter sido evitados pela regulagem de farol. De 19h às 06h, quando as luzes se fazem extremamente necessárias, 31 mil acidentes foram registrados pela Polícia Rodoviária Federal em 2017. Nesse mesmo período, quase três mil pessoas perderam a vida nas estradas.

Se os riscos de sofrer um acidente de trânsito por falta da regulagem de farol não são suficientes para o motorista, o Código de Trânsito Brasileiro coloca a obrigação.

Art. 223. Transitar com o farol desregulado ou com o facho de luz alta de forma a perturbar a visão de outro condutor:
Infração – grave;
Penalidade – multa;
Medida administrativa – retenção do veículo para regularização.

De acordo com dados apresentados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), de janeiro a agosto de 2018, 2.295 multas foram aplicadas no Brasil por transitar com o farol desregulado ou com o facho de luz alta de forma a perturbar a visão de outro condutor. O número é maior que todas as autuações emitidas em 2017 pela mesma razão (2.121).

O índice de autuações com base no art. 223 foi 53% maior nos primeiros oito meses deste ano, se comparado às 1228 multas aplicadas de janeiro a junho de 2017.

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê, no artigo 223, a regulagem de farol. Alinhado, componente garante mais segurança no trânsito.
Foto Shutterstock | Reprodução

A regulagem de farol pode salvar outro motorista

O ofuscamento da visão é um fator complicador quando a questão são os acidentes de trânsito. Leva-se aproximadamente quatro segundos para voltar a visão à normalidade depois de cruzar um foco de luz de um farol desregulado numa via. Nesse pequeno período, caso o carro esteja a 100 km/h, o motorista já cruzou de 80 a 120 metros. Distância suficiente para uma colisão grave.

“Quando enfrentamos de frente ou mesmo através dos retrovisores um feixe de luz ocorre uma contratura da pupila com objetivo de reduzir a quantidade de luz que deve chegar à retina. Ao desaparecer subitamente o foco de luz, temos a escuridão e nessas condições a pupila tende a se dilatar com objetivo de permitir maior entrada de luz”, explica Alves. Por isso a regulagem de farol e o cuidado no uso da luz alta são imprescindíveis para os motoristas.

Quando realizar a regulagem de farol

É recomendável fazer a regulagem de farol sempre que o automóvel tiver uma lâmpada substituída. Se o carro sofrer alguma alteração na suspensão, como rebaixamento, ou até quando o carro estiver muito pesado em uma viagem, deve-se checar o alinhamento das luzes.

2 Comentários

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  • Juarez 24 de setembro de 2018

    Caro Boris a intenção é boa. Contudo, inócua quando motoristas não apenas não regulam seus faróis, mas, os tornam irregulares com lâmpadas incompatíveis com o conjunto ótima original. E, por consequência nem aceitam regulagem. A fiscalização praticamente inexistente. São muitos. Os vejo todos dias e todas as noites. E como a lei seca. Todos sabem onde são as blitz. Mas a polícia não sabe onde ficam os bares. Com som é a mesma coisa, embora não mate, só de raiva.

    • Edson 29 de setembro de 2018

      Muito bem observado meu nobre, e no tocante a essa observação a PF, DEVERIA SER MAIS ATUANTE.

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