Renault Captur, enfim, recebe o câmbio CVT

Por Marcus Celestino19/06/17 às 19h08

O design de um veículo, tal qual a aparência de outros seres, é subjetivo. No entanto, é difícil alguém discordar do inebriante visual do Renault Captur. Suas linhas não exalam apenas robustez e escamoteiam a elegância. De maneira alguma. O modelo une o melhor dos dois mundos. Quando nos referimos ao conjunto mecânico também há uma unanimidade: o motor 2.0 e a transmissão automática de quatro marchas herdados do pretérito Duster não são nada empolgantes. Por isso, antes tarde do que nunca, a marca francesa inclui na gama de versões do Captur a opção de câmbio do tipo CVT aliado ao propulsor 1.6 SCe. A configuração Zen com este casamento sai por a partir de R$ 84.900, enquanto a Intense por R$ 88.400.

A transmissão automática de variação contínua (assim como o motor 1.6 de 120 cv de potência e 16,2 kgfm de torque quando abastecido com etanol) é “cortesia” da aliança Renault-Nissan. No Captur há a emulação de seis marchas, mas a grande vantagem mesmo é a ausência dos corriqueiros trancos presentes em câmbios automatizados usuais ou em automáticos antiquados — como o de quatro marchas que casa com o propulsor 2.0 no próprio SUV.

Todavia, apesar de ser empurrado por motor mais potente que o do Kicks (o modelo da Nissan tem propulsor de 114 cv), o Captur é tão anestesiado e genérico quanto o veículo da marca nipônica. A transmissão CVT é suave, mas é incapaz de conferir vigor ao utilitário. A Renault disponibilizou o veículo para teste, durante o lançamento, por um trajeto curto, mas mesmo assim foi possível notar as semelhanças. Tanto prós quanto contras.

Em ciclo urbano o Captur agrada, mas, se exigido, apresenta irritante lerdeza. Nas retomadas a preguiça do modelo é perceptível. O mesmo ocorre com o Kicks. Já o acerto da suspensão do SUV da marca francesa, herdado do Duster, é excepcional para as fustigadas vias brasileiras. O consumo também promete ser um chamariz. De acordo com a fabricante, as médias são de 7,3 km/l (etanol) e 10,5 km/l (gasolina) na cidade e 8,1 km/l e 11,7 km/l em ciclo rodoviário. Vale também frisar que o utilitário teve ótimo desempenho no teste do Latin Ncap, obtendo quatro estrelas em cinco na proteção dos passageiros adultos e três para crianças.

Ergonomia e acabamento

O Captur pode ser uma bela viola por fora, mas por dentro se aproxima do pão bolorento. O acabamento é pobre e muito similar ao que a Renault oferece em seus veículos mais baratos, como o Duster. O excesso de plástico duro é inconcebível para um modelo que custa quase R$ 90 mil. A (boa) central multimídia com tela de 7’’ é a mesma que proprietários de Logan ou Sandero podem ter, bem como os controles do ar-condicionado digital.

Além disso, como todo Renault, a ergonomia deixa a desejar. Os comandos não ficam posicionados para que o condutor os utilize de maneira intuitiva. Em suma, apesar de espaçoso, o habitáculo não propicia aos ocupantes (especialmente ao motorista) o mesmo prazer do exterior.

Itens de série

A versão Zen (R$ 84.900) conta com rodas de 17’’, direção eletro-hidráulica, ar-condicionado, controle de velocidade de cruzeiro, controles de tração e estabilidade, luzes diurnas de LED, airbags frontais e laterais, vidros e travas elétricas e sensor de ré. Além dos itens citados, a configuração Intense (R$ 88.400) conta ainda com ar-condicionado digital, câmera de ré, central multimídia com tela de 7’’ e sensores de luz e chuva.

Mercado

Num segmento que mais parece uma batalha campal é importante ter ampla gama de versões. Com estas novas ofertas, a fabricante espera dar ao Captur uma lufada de ar fresco. Segundo a Renault, as configurações 1.6 CVT representarão 60% do mix de vendas do utilitário.

O modelo vem ganhando espaço aos poucos na categoria. Sua comercialização começou em marcha lenta, mas já teve certa melhora. Em maio, 1.404 unidades do SUV compacto foram emplacadas, o deixando na nona posição entre seus pares.

O problema da Renault agora é a canibalização: se o Captur fechou relativamente bem o último mês, não se pode dizer o mesmo do Duster. O arcaico modelo teve seu desempenho afetado pela performance do irmão mais novo, tendo registrado 1.574 emplacamentos — uma queda com relação a abril.

Confira os preços do Renault Captur:

Renault Captur Zen 1.6 Manual: R$ 78.900
Renault Captur Zen 1.6 Xtronic CVT*: R$ 84.900
Renault Captur Intense 1.6 Xtronic CVT*: R$ 88.400
Renault Captur 2.0 Automático: R$ 91.900
*As configurações equipadas com transmissão CVT chegam às revendas no fim deste mês.

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