Renault Kwid Zen 0 km ou Fiat Mobi Way On 2017

No duelo de baixinhos ‘low cost’, veja qual mais prático para te atender no dia dia; ambos estão na faixa de preço de R$ 35 mil a R$ 38 mil

Por Fernando Miragaya11/11/18 às 15h00

Eles chegaram recentemente com a proposta de serem de baixo custo e para quem está atrás do primeiro carro – ou que quer praticidade no dia dia das grandes cidades. Kwid e Mobi fazem justamente de suas dimensões enxutas e da economia as razões de compra. Só confira e compare se vale a pena ter o subcompacto da Renault 0 km ou o pequenino rival da Fiat, um pouco mais equipado só que com um ano de uso.

Desempenho e prazer a dirigir

Renault Kwid Fiat Mobi
3 ★★★☆☆ 2 ★★☆☆☆

Vamos combinar que esse não é o forte de nenhum dos dois. O três cilindros 12V do Renault Kwid se sai melhor nas arrancadas, com mais agilidade nas primeiras relações do câmbio manual de cinco marchas, bem escalonado e com engates firmes – porém, pouco precisos. Mas é preciso sempre manter o pé decidido no pedal do acelerador para desfrutar do melhor rendimento, pois basta qualquer demora ou erro em engatar a marcha que o subcompacto põe a língua para fora.

Em ladeiras leves e retomadas de velocidade, o motor não nega sua alma 1.0 e é preciso reduzir para ganhar algum embalo. Na estrada o modelo leva um tempo até atingir boa velocidade de cruzeiro.

Renault Kwid Zen encara o Fiat Mobi Way On
Renault Kwid Zen

O Mobi também usa um três canecos, só que com duas válvulas por cilindro e com saídas de semáforo mais demoradas. É preciso esticar muito as primeiras marchas no câmbio manual de cinco velocidades para vencer o asfalto. Para complicar, a alavanca tem aqueles engates esponjosos, molengas e pouco precisos típicos dos modelos da marca italiana.

Já nas retomadas o Fire Fly tricilíndrico se mostra levemente mais esperto, com o torque surgindo quase em sua plenitude abaixo das 3.500 rpm. Para chegar a velocidades maiores na rodovia, é preciso pé embaixo e boa dose de paciência.

Fiat Mobi Way On encara o Renault Kwid Zen
Fiat Mobi Way On

Segurança

Renault Kwid Fiat Mobi
2 ★★☆☆☆ 1 ★☆☆☆☆

Outro quesito em que podem dar as mãos e casar para a eternidade. O Kwid só se sai (pouco) melhor por causa dos airbags laterais além dos frontais obrigatórios. No mais, só oferece de equipamentos o Isofix.

Baseado em uma plataforma pensada para a Índia, tem comportamento dinâmico que deixa a desejar em curvas, quando a carroceria inclina bastante – uma barra estabilizadora talvez diminuísse este problema. Em retas a 110 km/h permitidos na rodovia, a direção pede algumas correções, dentro da normalidade, mas a sensação de leveza do carro assusta e os pneus finos (165/70 R14) pouco contribuem.

O pedal do freio é um dos mais estranhos da galáxia automotiva: borrachudo e alto. Mesmo assim, o Kwid teve três estrelas no máximo de cinco nos testes do Latin NCAP para adultos e crianças.

O Mobi sequer tem o Isofix e também aparenta fragilidade no rodar. O pequenino da Fiat usa a mesma plataforma do Uno, mas também carece de uma barra estabilizadora e a carroceria entorta bastante em curvas. A sensação de flutuação incomoda um pouco em altas velocidades, mas até que a comunicação entre volante e rodas dá para o gasto. O projeto tem ao menos barras de proteção nas portas, contudo recebeu uma solitária estrela na proteção a adultos e duas, na proteção a crianças, pelo Latin NCAP.

Espaço interno e conforto

Renault Kwid Fiat Mobi
3 ★★★☆☆ 3 ★★★☆☆

Não é uma ironia e também nem dá para exigir muito. As dimensões do Kwid entregam espaço justo para pernas do motorista, que resvala o ombro na porta, mas a posição de dirigir alta agrada.

A ergonomia é superior a de outros Renault, apesar do puxador da porta estranhamente baixo. O banco traseiro só leva dois adultos mesmo, com vão bem limitado para joelhos, mas boa altura para as cabeças.

O problema maior do Kwid acaba sendo o nível de vibração forte, sentido nos pedais, no volante e na manopla do câmbio – mesmo com o carro parado. O isolamento acústico também é ruim, ainda mais com o tricilíndrico deveras barulhento.

O vão livre de 18 cm do solo e a suspensão mais firme absorvem razoavelmente os buracos, o que minimiza os solavancos na cabine. A direção com assistência elétrica é bem suave para manobrar. Já o acabamento é o esperado para um segmento onde o preço manda: muito plástico duro, de aparência simples, mas com encaixes corretos e sem rebarbas.

Renault Kwid: altura do solo aumenta o conforto
Renault Kwid: altura do solo aumenta o conforto

O Mobi é complicado para pessoas com mais de 1,75 m de altura e o espaço para motorista é apertado. Só que é fácil achar uma boa posição de dirigir e com ergonomia intuitiva típica dos Fiat, graças aos ajustes de altura do banco e do volante que o Renault não recebe.

Entrar no banco traseiro exige certo contorcionismo e o jeito dado pela marca foi fazer a porta traseira abrir em ângulo de quase 90 graus, para facilitar a vida do viajante – também só cabem dois adultos ali, e com menos conforto que no rival. O nível de vibração é menor do que no oponente, mas o isolamento acústico é igualmente falho.

Já o acabamento sugere um quê de refinamento com tons mais escuros, moldura preto brilhante ao centro do painel e plásticos mais agradáveis ao toque.

A direção com assistência hidráulica é suave para estacionar – fica bem mole com o modo City acionado – mas o volante herdado do Uno tem pegada ruim. A suspensão é elevada, mas sofre um pouco com os buracos.

Fiat Mobi Way tem acabamento em tons escuros
Fiat Mobi Way tem acabamento em tons escuros

Equipamentos

Renault Kwid Fiat Mobi
2 ★★☆☆☆ 3 ★★★☆☆

Ambos têm somente o básico para não serem chamados de pé-de-boi. A Zen é a versão intermediária do Kwid e sai de fábrica com ar-condicionado, direção elétrica, vidros e travas elétricos, abertura interna da tampa do porta-malas e do tanque, indicador de troca de marcha, banco traseiro rebatível, aviso sonoro de luzes acesas e para-choques na cor da carroceria.

O ajuste do retrovisor pelo menos tem pitoco para regulagem manual. O rádio é um Continental com Bluetooth, USB e duas caixas posicionadas na frente que revelam uma acústica muito, mas muito, ruim.

A Way é a versão com visual aventureiro do Mobi, o que fica claro nas barras longitudinais no teto, nos acabamentos escuros dos para-choques e molduras das caixa de rodas e nos faróis com máscara negra. Dentro, o quadro de instrumentos tem grafismos exclusivos da versão.

Em equipamentos, tem a mais que o Kwid computador de bordo, capa dos retrovisores na cor do veículo e espelho cortesia no para-sol do motorista. O som era opcional de mais de R$ 2.200 na época e o kit On, que dá origem ao sobrenome da configuração, era o mais interessante. Antes de mais nada, não trata-se de uma central multimídia em si. A tela apenas espelha smartphones, além de trazer Bluetooth e comandos no volante. De quebra, vinha o limpador, lavador e desembaçador do vidro traseiro.

Desvalorização

Renault Kwid Fiat Mobi
2 ★★☆☆☆ 4 ★★★★☆

O Renault tem perda acentuada de 10,8% após um ano, segundo a Fipe. A perda do Mobi Way com um ano de uso é de 3%. Por se tratarem de lançamentos recentes, estão longe de sofrerem mudanças visuais. Mas a liquidez ainda é uma incógnita.

Manutenção e pós-venda

Renault Kwid Fiat Mobi
5 ★★★★★ 3 ★★★☆☆

O modelo da Renault chama a atenção pelo baixo valor cobrado nas revisões com preço fixo. O custo das peças também evidencia a proposta racional do Kwid.

Peças Preços
Farol dianteiro direito R$ 550
Retrovisor externo direito R$ 210
Jogo com quatro amortecedores R$ 999,24
Jogo com quatro pastilhas de freio dianteiras R$ 299
Revisão 10.000 km R$ 371
Revisão 20.000 km R$ 350,40
Revisão 30.000 km R$ 350,40
Revisão 40.000 km R$ 522,10
Revisão 50.000 km R$ 371,10
Revisão 60.000 km R$ 371,10

As revisões do Mobi são um tanto puxadas para um segmento onde reais fazem tanta diferença, em especial a visita de 60.000 km, que passa dos R$ 1 mil. O custo dos componentes está de acordo com o mercado.

Farol dianteiro direito: R$ 460,09
Retrovisor externo direito: R$ 324,32
Jogo com quatro amortecedores: R$ 1.163,38
Jogo com quatro pastilhas de freio dianteiras: R$ 344,50
Revisão 10.000 km: R$ 204
Revisão 20.000 km: R$ 444
Revisão 30.000 km: R$ 684
Revisão 40.000 km: R$ 592
Revisão 50.000 km: R$ 424
Revisão 60.000 km: R$ 1.296

Consumo*

Renault Kwid Fiat Mobi
4 ★★★★☆ 3 ★★★☆☆
Kwid Zen 2018 Médias de consumo
Etanol cidade: 10,3 km/l; estrada: 10,8 km/l
Gasolina cidade: 14,9 km/l; estrada: 15,6 km/l
Nota categoria A
Nota geral A
Selo de eficiência energética Sim
Mobi Way On 2017 Médias de consumo
Etanol cidade: 8,9 km/l; estrada: 9,7 km/l
Gasolina cidade: 12,6 km/l; estrada: 14,2 km/l
Nota categoria A
Nota geral A
Selo de eficiência energética Sim

*Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular/Inmetro

Porta-malas

Renault Kwid Fiat Mobi
3 ★★★☆☆ 2 ★★☆☆☆

Com 290 litros, o Kwid recebe duas malas pequenas e duas mochilas. Já o do Mobi comporta 215 litros e só leva mesmo duas malas na medida.

Veredito

Renault Kwid Fiat Mobi
24 21

O Renault Kwid se dá melhor justamente no que faz diferença neste segmento: economia. O pós-venda do Renault é mais em conta e o motor 1.0 12V é mais eficiente que o do rival. Além disso, oferece um pouco mais de espaço e porta-malas, o que pode fazer a diferença para quem quer usar o carro na cidade, mas dar aquela escapada no fim de semana para uma cidade próxima. O Mobi tem suas virtudes na baixa desvalorização e no recheio superior.

Veja também

 

1 Comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
  • Cleriston Rabelo dos Santos 12 de novembro de 2018

    Nem de longe da para pegar esse mobi alem de revisões caras o carro é feio d++++++++++

Deixe um comentário