Maior vendedor de diesel para o Brasil, Rússia suspende exportações

Ataques ucranianos às refinarias obrigam Rússia a priorizar mercado interno de combustíveis, o que pode impactar nos preços no Brasil

Kremlin shutterstock
Aumento de demanda por combustíveis no mercado doméstico, fez Rússia suspender exportações (Foto: Shutterstock)
Por AutoPapo
Publicado em 08/07/2026 às 18h00

Mais de quatro anos após o início da invasão da Ucrânia, um dos principais pilares da economia russa começa a sentir de forma mais intensa os efeitos do conflito. A decisão do governo de Vladimir Putin de suspender temporariamente as exportações de diesel e admitir a necessidade de importar derivados de petróleo para complementar o abastecimento interno evidencia como a guerra passou a comprometer a infraestrutura energética do país, um dos maiores produtores e exportadores de petróleo do mundo.

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Desde 2024, Kiev ampliou os ataques com drones de longo alcance contra refinarias, bases de armazenamento e terminais de distribuição de combustíveis em território russo. Segundo análises publicadas por veículos de imprensa internacionais, a estratégia busca atingir uma das principais fontes de receita do Kremlin e, ao mesmo tempo, dificultar o fornecimento de combustíveis para as forças armadas russas. Embora Moscou tenha reforçado seus sistemas de defesa, parte dessas instalações passou a operar com capacidade reduzida após sucessivos bombardeios.

Os reflexos deixaram de ser apenas industriais. A menor capacidade de refino provocou redução na oferta de gasolina e diesel para o mercado doméstico, obrigando o governo russo a recorrer a medidas emergenciais. Entre elas estão a suspensão das exportações de diesel, o adiamento de paradas programadas para manutenção em refinarias e a possibilidade de importar combustíveis de países vizinhos para atender regiões mais afetadas. A decisão representa uma inversão incomum para um país cuja influência geopolítica sempre esteve ligada à capacidade de exportar energia.

Especialistas ouvidos pela imprensa internacional avaliam que os ataques ucranianos demonstram uma mudança importante na dinâmica da guerra. Sem condições de enfrentar a Rússia em igualdade de forças convencionais, Kiev passou a concentrar esforços contra ativos estratégicos capazes de elevar os custos econômicos do conflito para Moscou. Além de reduzir receitas com exportações, os bombardeios obrigam o governo russo a direcionar recursos para reparos, reforço da defesa aérea e manutenção do abastecimento interno.

A restrição das exportações também pode produzir efeitos fora da Rússia. Países que ampliaram a compra de diesel russo após as sanções impostas pelo Ocidente, entre eles Brasil e Turquia, poderão enfrentar menor disponibilidade do combustível e maior pressão sobre os preços internacionais. O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, sendo que aproximadamente 70% vem da Rússia.

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