S09: o carro mais rápido da Fórmula SAE

Desenvolvido por alunos do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG), projeto vai competir a etapa mundial nos Estados Unidos

Por Laurie Andrade16/02/18 às 11h05

O S09 é um carro de corrida experimental desenvolvido pela equipe de estudantes Fórmula Cefast para disputar a Fórmula SAE. O protótipo foi o modelo mais rápido da última competição estudantil organizada pela Society of Automotive Engineers (SAE) no Brasil e, agora, vai competir a etapa internacional em Lincoln, nos Estados Unidos.

“A expectativa é trazer o máximo de troféus possíveis e o reconhecimento para as equipes brasileiras – em especial as mineiras. O nosso tempo na prova de aceleração (4,052 segundos) ficaria em primeiro lugar, se considerássemos o tempo vencedor do ano passado (4,20 segundos)” explica João Vitor Pizzaro, capitão da equipe e estudante de engenharia mecânica.

Protótipo mineiro bateu o recorde na prova de aceleração da Fórmula SAE e vai disputar com 80 equipes de universidades de todo o mundo em Lincoln, nos EUA.
Foto | Divulgação Fórmula Cefast

O S09, que vai disputar contra 80 equipes de todo o mundo, foi projetado e construído durante o ano de 2017 por 35 alunos do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG).

Como o S09 funciona

O carro utiliza o motor de uma motocicleta Honda CBR 600 RR. Ele é controlado por uma central eletrônica aberta, que faz a calibragem dos parâmetros necessários para aumentar a potência. O S09 tem 71 cavalos, resultado surpreendente já que o regulamento da competição restringe o fluxo de entrada de ar no protótipo. A transmissão das marchas é totalmente projetada pelos membros da equipe e funciona como um câmbio automatizado (como o Dualogic, da Fiat). Ao contrário da maioria dos carros da competição, o S09 não tem alavanca. A troca de marchas é feita pela borboleta no volante, que envia um sinal elétrico acionando um atuador pneumático.

O chassi também foi pensado e executado pela Fórmula Cefast. Ele segue as restrições do regulamento, que estipula parâmetros de segurança do piloto, mas foi otimizado para reduzir a quantidade de tubos e, por consequência, o peso do carro. Os cálculos começaram com o fim da competição brasileira de 2016, quando os alunos resolveram comprar rodas aro 10”, menores do que as aro 13” que usavam anteriormente.

Com a diminuição dos aros, a ideia dos estudantes era redimensionar todos os sistemas e trabalhar com um veículo mais leve. O S09 tem 20% a menos de massa que o projeto desenvolvido em 2016. Foram cerca de três meses redesenhando o carro e mais dois meses e meio construindo. Com o protótipo pronto em maio, os estudantes puderam testar todos os componentes do S09 sob várias condições. O modelo percorreu mais de 465 km e, ao longo dessa distância, foi possível prevenir vários problemas que poderiam aparecer durante a Fórmula SAE.

A aerodinâmica também é um diferencial do carro mineiro. As asas traseiras, dianteiras e o difusor foram desenhadas visando gerar menor arrasto e resistência do ar possíveis e um maior carregamento vertical (“prender o carro no chão”, para aproveitar o atrito dos pneus e aumentar a aceleração).

Protótipo mineiro bateu o recorde na prova de aceleração da Fórmula SAE e vai disputar com 80 equipes de universidades de todo o mundo em Lincoln, nos EUA.
Foto | Divulgação Fórmula Cefast

Todas as engenharias do CEFET-MG têm algum envolvimento no projeto. “A instrumentação do S09 está um passo à frente dos outros protótipos, são mais de trinta sensores. Mais que o funcionamento dos motores, os sensores controlam a temperatura dos pneus, discos de freios e outros componentes. Esses sensores validam os cálculos de cada projeto e otimizam os subsistemas do carro”, explica o capitão.

Não foi só o modelo que passou por adequações. A equipe e as metodologias também foram reestruturadas. O resultado foi a melhor colocação que um time mineiro já conseguiu na Fórmula SAE.

O que o S09 conquistou

As corridas foram criadas pela SAE para incentivar os estudantes a colocar em prática os conhecimentos teóricos ensinados na universidade. Além do conhecimento, outras habilidades são testadas nas etapas nacional e mundial, como gerenciamento e trabalho em equipe. São analisadas, durante as avaliações, a dinâmica do carro e a apresentação de negócios, custos e manufaturas. Todos os sistemas devem ser explicados por um representante e há uma simulação de um caso real da indústria. Os alunos precisam estudar formas diferentes de otimizar a produção de um sistema do carro, por exemplo.

Na etapa nacional, quando competiu com outros 45 veículos, o S09 quebrou o recorde e ficou em primeiro lugar na prova de arrancada (aceleração). O protótipo saiu da inércia e percorreu 75 metros em 4.052 segundos.

A equipe também foi a primeira na prova da autocross, um circuito rápido em formato de oito. O que tirou o título de primeiro lugar da Fórmula Cefast foi o enduro, uma prova de 22 quilômetros que o S09 não conseguiu completar.

DIFICULDADE Além das apresentações em outra língua, a equipe tem enfrentado uma outra dificuldade para chegar até a competição, que acontecerá entre os dias 20 e 23 de junho. O processo de exportação temporário do protótipo junto à viagem dos integrantes vai custar cerca de R$ 170 mil reais, orçamento que transcende o valor (ainda não divulgado) que o CEFET pode custear. Para conseguir atingir a meta e correr nos EUA, os alunos criaram uma campanha de crowdsourcing. Quer ajudar o projeto? Acesse a página da Fórmula Cefast.

Para incentivar o desenvolvimento da engenharia, as provas do circuito mundial têm prêmios em dinheiro. Isso não acontece na etapa nacional da Fórmula SAE.

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