Sobram carros importados estocados em pátios pelo país

Vendas de carros importados crescem 25,7% até julho, mas elevação não foi capaz de reduzir o volume de unidades nos pátios

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Importadores expandiram estoques para garantir assegurar preços diante de oscilações ecônomicas e tarifárias (Foto: Shutterstock)
Por Fernando Calmon
Publicado em 16/08/2026 às 13h00

Nos primeiros sete meses do ano, 344,1 mil veículos leves e pesados foram importados, resultado 25,7% superior a igual período do ano passado. Os que vieram da China (basicamente automóveis e SUVs) mais que dobraram (105,4%). Argentina, tradicional exportadora para o Brasil dentro do cenário de complementação de produção de modelos entre os dois países, recuou 16,7%. Em números absolutos, de janeiro a julho, foram 180,5 mil produtos chineses e 101,1 mil argentinos. Já as exportações brasileiras continuaram caindo: 20,8% no mesmo período.

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Estoque de importados continua bastante elevado e fora de padrões históricos: 360.000 unidades correspondentes a 142 dias (quase cinco meses) de vendas, contra 21 dias dos modelos nacionais, segundo a Anfavea. Maior parte dos veículos estocados provém da BYD que aproveitou incentivos do Governo Federal para importação em massa de elétricos e híbridos desde 2022 e vem bancando custos agregados. A marca chinesa mantém preços altamente competitivos e nem se intimida com taxa básica de juros muito alta, o que afeta os financiamentos.

BYD defende que incentivos fiscais terminem em janeiro do próximo ano, conforme já estabelecido, sem beneficiar outros entrantes (da China ou não), que chegaram “atrasados”. A empresa está correta neste caso e mantém sua previsão de ser a primeira do mercado brasileiro em 2030 (hoje é a quarta). Já o Grupo Chery e suas várias marcas somadas — Omoda, Jaecoo, Icaur, Lepas, Exeed, Luxeed, Freelander e Jetour — têm como meta a liderança em 2031, quando segundo suas projeções o Brasil poderia absorver até cinco milhões de veículos por ano, 70% a mais que hoje.

Otimismo quanto às vendas de veículos leves e pesados em 2026, independentemente do período de eleições de agora a outubro, continua mantido pela Anfavea: mais 12,1% sobre 2025. Este percentual fica acima dos 8% previstos pela Fenabrave. Em relação à produção, sustentáculo para os empregos, o Brasil foi o segundo país que mais cresceu de janeiro a julho deste ano: 8,8%, atrás apenas da Índia, 14,5%. Nos primeiro sete meses de 2026, mesmo a China, maior mercado do mundo, recuou sua produção em 4% e os EUA, menos 11,7%.

Elétricos avançam, mas ainda com vendas “calmas”

Estatísticas frias demonstram muitas vezes o que se deseja ressaltar e podem destacar aspectos tanto pessimista quanto otimista ou até o meio-termo. A palavra “eletrificados”, por exemplo, não deixa às claras de que se trata da soma de elétricos aos três tipos de híbridos: básicos ou semi-híbridos, plenos e plugáveis. Também se precisa levar em conta que bases comparativas muito baixas, costumam esconder distorções.

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Geely EX2 é um dos modelos elétricos que caíram no gosto dos brasileiros (Foto: Geely | Divulgação)

Anfavea afirma: “Há um ano, elétricos e híbridos somados não chegavam a 11% das vendas. No acumulado do ano, o crescimento é de 120,8%. Só os elétricos puros emplacaram 25,8 mil unidades no mês de julho, maior número da série histórica”. Tudo verdadeiro, mas ressalvas fazem-se necessárias.

Basta ver como as vendas de veículos leves ficaram distribuídas de janeiro a julho deste ano: gasolina, 2,8%; diesel, 9,3% (basicamente picapes médias e alguns SUVs); híbridos, 5,9%; híbrido plugável, por coincidência, também 5,9%; elétricos, 7,2%; flex, 68,9%. Ou seja, os 120,8% representam bases comparativas baixas demais. Ainda há muita margem para os elétricos crescerem, pois são ótimos no uso urbano. Todavia, nem tanto para viagens em estradas, considerando que distâncias no Brasil dificultam instalar redes de recarga, à exceção principal da rodovia presidente Dutra que liga as duas maiores cidades do País e que dá acesso a 36 municípios ao longo de seus 402 km.

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