A mesma peça, seis vezes mais cara?

Levantamento feito recentemente no mercado brasileiro revelou que o preço do mesmo componente pode variar assustadoramente

Por BORIS FELDMAN08/06/18 às 07h40

Automóvel tem dezenas de peças que se desgastam e exigem substituição regulamente. Mas, o mercado oferece de tudo por todos os preços e, portanto, a troca exige pelo menos dois tipos de cuidados. O primeiro em relação à qualidade: sempre existem vários fornecedores, com preços e qualidade variáveis. Quanto maior o volume fabricado de um modelo, maior também o interesse de fabricantes em colocá-las no mercado.

Comprada na concessionária da marca, a peça pode custar mais que no mercado “paralelo” (lojas de peças, supermercados) pois tem controle de qualidade da própria fábrica. Mas, ela passa por três etapas antes de chegar ao consumidor final: fornecedor, fábrica e concessionária, cada um com sua logística e auferindo sua margem de lucro.

A mesma peça, seis vezes mais cara?

A mesma peça pode ser encontrada no mercado paralelo, exceto de for “cativa”: é aquela produzida pela própria fábrica do automóvel e disponível apenas na sua rede de concessionárias. Nele, ela pode custar menos, pois só tem a casa de peças como intermediário entre a fábrica e o consumidor final.

A peça adquirida na loja pode ter mesma qualidade que a da concessionária: basta conferir se quem a fabricou é também fornecedor da linha de montagem. Neste caso, apenas a embalagem é diferente, pois a embalagem no paralelo não tem o logo da marca do automóvel. Mas, ela peça pode ter sido fabricada por marca conhecida internacionalmente, como Bosch, Magneti Marelli, Valeo, Affinia, Monroe, etc. Sem problema de qualidade.

O problema está na fábrica desconhecida, do tipo “fundo de quintal”, sem controle de qualidade nem fiscalização do governo brasileiro, como em outros países. E neste caso, é claro que a peça vai custar muito menos, mas com chances de resultar em dor de cabeça para o dono do carro.

Entre peças de qualidade semelhante, vale a pena pesquisar preços: levantamento feito recentemente no mercado brasileiro revelou que o preço do mesmo componente pode variar assustadoramente. Exemplo? No caso de filtros, podem custar de três a seis vezes mais. Pastilhas de freio custam cinco vezes mais. Fluidos de freio e amortecedores de mesma qualidade custavam em uma loja três vezes mais que em outra. Portanto: olho vivo!

Foto iStock | Reprodução

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

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