Cooperativa ou seguradora?

Qual a maneira mais eficiente de se proteger o automóvel contra danos, roubos e incêndios?

Por BORIS FELDMAN02/03/18 às 16h20

Quem tem carro acaba sempre no dilema “qual a melhor maneira de proteger o automóvel”. Cooperativa ou seguradora? Quem é mais eficiente contra danos, roubos e incêndios? A resposta, antigamente, era óbvia: numa companhia seguradora, que emite uma apólice para proteger seu patrimônio, com validade de um ano.

Foi criada entretanto, há alguns anos, uma outra fórmula meio que ao arrepio da lei: são as chamadas cooperativas, associações ou clubes que anunciam oferecer a mesma proteção para o automóvel. Ao contrário das seguradoras que cobram um valor anual, elas estipulam uma pequena taxa fixa mensal, mas emitem, também mensalmente, um boleto adicional com um rateio de todas as despesas que tiveram com os associados ou “cooperados” no mês anterior para reparar os carros que se acidentaram, ou indenizá-los no caso de roubo, furto ou perda total. O valor deste boleto não é pré-determinado e oscila em função das despesas contabilizadas no mês anterior. Elas não estabelecem o perfil do associado pois não se preocupam com o risco que assumem: não são elas que pagam as despesas, apenas antecipam o pagamento e depois rateam o valor total entre os cooperados.

Cooperativa ou seguradora? Qual a maneira mais eficiente de se proteger o automóvel contra danos, roubos e incêndios?

Na verdade, estas “cooperativas” são seguradoras disfarçadas de associações ou clubes destinados a ratear despesas dos associados. Ao contrário das companhias de seguro de verdade, não são fiscalizadas pela SUSEP (órgão do governo que toma conta do setor). Não têm a obrigação de manter um fundo de reserva mínimo para fazer frente às indenizações. Podem até serem honestas, mas dezenas delas já sumiram com o dinheiro dos cooperados, dos associados. Muitas fecharam as portas e outras foram fechadas pela polícia. Ou seja, poderiam teoricamente prestar uma boa assistência, mas, a rigor, representam um grande risco.

Existem algumas destas empresas que efetivamente prestam bons serviços ao motorista e também protegem seu veículo, pois, em parceria com uma seguradora de fato, emitem uma apólice coletiva para proteção dos associados.

Estas cooperativas crescem assustadoramente em todo o país pois oferecem a proteção por preços muito inferiores aos das seguradoras e disputa-se atualmente uma briga judicial entre ambas. Os interessados em participar de uma delas deve se precaver e analisar cuidadosamente sua idoneidade antes de efetivar sua inscrição.

Em resumo, entre cooperativa ou seguradora, ainda preferimos a antiga opção.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

1 Comentário

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  • paulo e.f. diehl 14 de março de 2018

    nós também, pois o barato sai caro

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