Booster funciona? Saiba quais são os aditivos realmente necessários

Por BORIS FELDMAN09/03/18 às 15h47

Fã do AutoPapo diz que parou no posto para abastecer e o frentista, todo solícito, ofereceu um aditivo que ele não conhecia. O chamado Octane Booster, de acordo com o rótulo, “vitamina” o motor. O aditivo é importado e menciona os excelentes resultados obtidos por usuários nos Estados Unidos.

Vale a pena, pergunta ele, usar o Octane Booster? Sim. Deve mesmo aumentar a potência do motor e valer seu preço. Mas somente se você morar lá e abastecer seu carro com a gasolina norte-americana, pois com a brasileira é uma tarefa quimicamente impossível. Não porque a nossa seja pior que a vendida nos EUA, mas pela adição de quase 30% de etanol: esta mistura já é uma super-oxigenação da gasolina. Provavelmente a gasolina para automóveis com a maior octanagem do mundo é a Podium, que se encontra em alguns postos BR.

Em relação aos postos vale uma dica genérica: os frentistas são muitas vezes instruídos para oferecem dezenas de aditivos, com os mais diversos propósitos. Mas poucos são realmente necessários. Um deles, exatamente para a gasolina, é quando se abastece com a comum. Deve-se comprar um frasco da aditivação básica (aditivos dispersantes/detergentes) para evitar a formação de depósitos carboníferos na câmara de combustão. Outro é o etilenoglicol, que deve ser misturado (a proporção é de mais ou menos 50/50) à água do radiador, que reduz a possibilidade de ela ferver quando sobe a temperatura do motor. E tem também a finalidade de manter limpos os dutos do sistema de refrigeração.

Boris explica porque o aditivo Booster não funciona para carros abastecidos no Brasil. Além disso, comenta quais são os aditivos necessários para o seu veículo.

Outros aditivos são, em geral, desnecessários. Fluidos e óleos já são aditivados adequadamente por seu fabricante, seguindo recomendação da fábrica do automóvel. Aliás, já inventaram um jeito de faturar até para calibrar os pneus, oferecendo nitrogênio em vez do ar natural. Vale a pena? Continue acertando a pressão com o ar do compressor mesmo. Exceto se seu automóvel for um Fórmula 1 ou de competição: neste caso recomenda-se o nitrogênio…

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

2 Comentários

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  • Rodolfo 18 de maio de 2018

    Vejam a conclusão do 2º CONGRESSO BRASILEIRO DE P&D EM PETRÓLEO & GÁS realizado no Rio de Janeiro, de 15 a 18 de junho de 2003:
    “Os ensaios conduzidos nesse trabalho mostram que o mercado brasileiro está aceitando produtos inócuos. Os aditivos testados neste trabalho não mostraram eficiência para promover o aumento da octanagem como sugerido nos rótulos dos fabricantes.
    Verificou-se, também, que a gasolina comum brasileira já se encontra com índice de octanagem compatível com as especificações dos motores nacionais. Assim sendo, como a octanagem é um parâmetro de projeto dos motores de combustão interna, a utilização de combustíveis com octanagem superior àquela recomendada pelo fabricante não traria resultados expressivos. Portanto, mesmo que esses aditivos apresentassem o efeito prometido, seu resultado não compensaria o custo”.
    Fonte:
    AVALIAÇÃO DA ADIÇÃO DE ADITIVOS DO TIPO “BOOSTER” DE OCTANAGEM NO PODER ANTIDETONANTE DA GASOLINA AUTOMOTIVA BRASILEIRA:
    http://www.portalabpg.org.br/PDPetro/2/4095.pdf

  • Fabio 30 de abril de 2018

    Muito boas reportagens!

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