Etiquetas do Inmetro seriam confiáveis?

Por BORIS FELDMAN03/11/16 às 15h57

Consumo de combustível depende de dezenas de variáveis. Começa pelo peso do pé direito do motorista: se for um “pé de chumbo”, o consumo dobra. Mas existem outros fatores que não dependem do cuidado de quem está ao volante. A altitude, a topografia (quanto mais morro pelo caminho, tanto pior…), o congestionamento, a qualidade da gasolina, o peso esquecido no porta-malas, a regulagem do motor e muitos outros.

O mesmo carro pode variar mais de 50% nas contas de consumo em função de todas estas variáveis. Neste caso, como avaliar quanto bebe de fato um automóvel?

O único método confiável é submetendo todos os modelos a um mesmo teste, através de simulação num laboratório. O carro é colocado sobre um dinamômetro de rolo e “percorre” uma determinada distância em diversas velocidades, “para” no sinal vermelho e arranca algumas vezes, freia, acelera e depois se avalia quanto combustível foi necessário para o teste. A simulação se aproxima muito da realidade, mas não a reflete objetivamente. Entretanto, trata-se de uma informação preciosa, pois permite comparar o consumo de diversos modelos. Dá para saber, entre dois carros, qual tem o menor ou maior consumo de combustível.

Esta foi a filosofia do Inmetro ao estabelecer o Programa de Etiquetagem Veicular. Todos os fabricantes submetem seus automóveis ao mesmo teste e informam os resultados. O Inmetro classifica então todos os modelos vendidos no Brasil de acordo com o consumo por categoria, de acordo com seu tamanho. E emite então as etiquetas que devem ser dependuradas nos carros, nas concessionárias. Elas indicam o consumo de acordo com a categoria. Que vai de A (mínimo consumo) até o E (máximo consumo). Pode não refletir a realidade do dia-a-dia, mas indica, entre dois ou três modelos, qual é mais “pão duro”, qual é o mais “bebedor”.

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