Programa de Etiquetagem Veicular: os dados do Inmetro são confiáveis?

Como são calculados os índices de consumo de combustível dos carros brasileiros? Será que o número da etiqueta do Inmetro retrata mesmo a realidade?

Por BORIS FELDMAN13/06/18 às 10h58

Consumo de combustível depende de dezenas de variáveis. Começa pelo peso do pé direito do motorista: se for um “pé de chumbo”, o consumo dobra. Mas existem outros fatores que não dependem do cuidado de quem está ao volante. A altitude, a topografia (quanto mais morro pelo caminho, tanto pior…), o congestionamento, a qualidade da gasolina, o peso esquecido no porta-malas, a regulagem do motor e muitos outros. O mesmo carro pode variar mais de 50% nas contas de consumo em função de todas estas variáveis. Neste caso, como funciona o Programa de Etiquetagem Veicular?

O único método confiável é submetendo todos os modelos a um mesmo teste, através de simulação num laboratório. O carro é colocado sobre um dinamômetro de rolo e “percorre” uma determinada distância em diversas velocidades, “para” no sinal vermelho e arranca algumas vezes, freia, acelera e depois se avalia quanto combustível foi necessário para o teste.

A simulação se aproxima muito da realidade, mas não a reflete objetivamente. Entretanto, trata-se de uma informação preciosa, pois permite comparar o consumo de diversos modelos. Dá para saber, entre dois carros, qual tem o menor ou maior consumo de combustível.

Boris explica como funciona o Programa de Etiquetagem Veicular.Todos os modelos vendidos no Brasil são submetidos a um mesmo teste, realizado em uma simulação em laboratório.

Esta foi a filosofia do Inmetro ao estabelecer o Programa de Etiquetagem Veicular. Todos os fabricantes submetem seus automóveis ao mesmo teste e informam os resultados. O Inmetro classifica então todos os modelos vendidos no Brasil de acordo com o consumo por categoria, de acordo com seu tamanho. E emite então as etiquetas que devem ser dependuradas nos carros, nas concessionárias. Elas indicam o consumo de acordo com a categoria. Que vai de A (mínimo consumo) até o E (máximo consumo). Pode não refletir a realidade do dia-a-dia, mas indica, entre dois ou três modelos, qual é mais “pão duro”, qual é o mais “bebedor”.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

1 Comentário

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  • Éder Rocha Rodrigues 25 de agosto de 2018

    Gostaria de parabenizar o INMETRO pela implantação do Programa de Etiquetagem Veicular no Brasil, que considero um marco na história da indústria automotiva brasileira.
    Somente após esse evento é que pudemos, com rapidez e facilidade de consulta, comparar veículos de diversos fabricantes, com a devida isenção e normatização.
    Tal fato levou até mesmo a que diversas montadoras se empenhassem em recalibrar seus projetos objetivando melhores índices de eficiência de seus veículos, em face da concorrência.
    Confesso que considero apenas a etiqueta (A até E) ainda um pouco confusa no meu entendimento; prefiro analisar os números dos testes em si.

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