A pior gasolina do mundo é a nossa?

Já foi, mas não mais

Por BORIS FELDMAN03/05/18 às 10h30

No passado, a gasolina do Brasil tinha a péssima imagem de ser a pior gasolina do mundo. E isso não era inteiramente falso. Ela ficava mesmo a dever em qualidade devido ao seu altíssimo teor de enxofre e baixa octanagem. Mas, nos últimos anos, ela ganhou em qualidade, reduziu o enxofre a níveis internacionais (50 ppm) e subiu muito a octanagem. A má imagem, entretanto, permanece até os dias de hoje.

pior gasolina

No passado, nosso combustível era tão ruim que algumas fábricas na Europa “tropicalizavam” o carro antes de exportá-lo para o nosso mercado. Era uma redução da taxa de compressão para evitar danos ao motor. Durante anos, gasolina com índice razoável de octanagem era chamada de “azul”, com uma dose maior de chumbo tetra-etila.

Foi decidido então abandonar o chumbo (por ser muito nocivo) e aumentar a octanagem com o etanol. E reduzir o enxofre, tornando nossa gasolina uma das melhores do mundo. Exatamente ao contrário do que se imagina e se divulga. Ela tem apenas um senão: o excesso de mistura do etanol, hoje em absurdos 27,5%. E assim, perdemos o título de pior gasolina do mundo.

A Podium (só encontrada nos postos da Petrobras), por exemplo, tem um teor de enxofre ainda mais baixo que as demais (30 ppm) e um elevadíssimo índice de octanagem, difícil de encontrar no mundo. Mas, até mesmo as nossas gasolinas mais simples têm um índice de octanagem que não prejudica o desempenho mesmo de automóveis importados e de alta performance. É óbvio que um Porsche ou uma Ferrari terão melhor desempenho se abastecidos com a Premium ou Podium. Mas não terão seus motores danificados se usarem a gasolina comum.

Atualmente, o único cuidado que o motorista deve tomar ao abastecer é aditivar a gasolina caso sua opção seja pela “comum”. O governo decidiu aditivar toda a gasolina comercializada no Brasil, o que deveria ter ocorrido (depois de adiado a primeira vez) em julho de 2016. Mas a ANP não conseguiu chegar a um consenso com todas as partes envolvidas e voltou a adiar a obrigatoriedade da aditivação.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

1 Comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
  • Leonardo 27 de julho de 2018

    Boris, você deve estar abastecendo seu carro em postos da Europa, só pode. A gasolina brasileira é uma porcaria sim, e o etanol também. Sempre foi e ainda é, não importa o que diz nosso governo sujo e mentiroso (independente de partido). Isto é algo que se percebe dirigindo.

Deixe um comentário