Pneu verde: o que é, quanto custa e como funciona

Ele realmente diminui o consumo, mas e o valor? Compensa?

Por BORIS FELDMAN20/04/18 às 10h50

Surgiu recentemente na indústria automobilística um novo conceito de pneumático, o chamado “ pneu verde ”. Que bicho é esse?

Não se preocupe com a cor, ele continua preto do mesmo jeito que você sempre o viu. Porém, é chamado de “verde” por uma questão ecológica, por ser fabricado com um composto especial que reduz o atrito com o asfalto. Se o atrito se reduz, o motor tem que fazer menos força para movimentar o carro, o que significa uma redução de combustível (e emissões) para percorrer a mesma distância.

Por representar uma evolução do projeto e exigir materiais especiais, ele custa um pouco mais que o pneu normal. Mas, será que vale mesmo a pena pagar mais alguns reais ou é pura enganação para arrancar mais “algum” do consumidor?

Esta sua dúvida é também a das fábricas, dos concorrentes e da imprensa. Para provar que o pneu verde realmente reduz o consumo, imaginaram um teste, chamado de “coasting”, que determina se existe ou não uma redução de atrito da borracha com o asfalto. “Coasting”, numa tradução livre, poderia ser o carro rodando livre, sem propulsão motora, só no “embalo”.

Boris fez o teste para saber se o pneu verde realmente reduz o consumo e a emissão de gases. Conheça os benefícios e malefícios dos novos pneumáticos.

No teste, o automóvel equipado com pneus verdes é acelerado numa reta até atingir 70 km por hora e então se desliga o motor. Mede-se então quantos metros o carro vai rodar até parar por completo. Na segunda etapa, ele é equipado com pneus tradicionais e repete-se o teste dentro dos mesmos parâmetros.

Não tem como escapar: basta comparar no hodômetro quantos metros o carro rola com cada um. Eu participei de um destes testes e conferi: com os tradicionais, ele rodou exatos 990 metros. Com os verdes, 1435 metros. Ou seja, 45% mais no “coasting”.

Em resumo, claro que o carro vai consumir menos com o pneu verde.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

6 Comentários

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  • Augusto 29 de abril de 2018

    Você está certo, foi uma infelicidade do autor em dizer que há redução do atrito com o asfalto. Na realidade há uma redução da resistência ao rolamento do pneu, ou seja, o pneu “gasta” menos energia para se deformar quando entra em contato com a superfície sem comprometer a aderência.

  • JOSE ELIAS ORTH 21 de abril de 2018

    Na verdade acho que o termo correto é de que reduz a RESISTÊNCIA À RODAGEM.
    Ou seja, não é aderência que perde. Um pneu mais (ou menos) aderente não necessariamente consome mais (ou menos).

  • Érico Coutinho 21 de abril de 2018

    Com certeza com menos atrito, vai ter menos aderência. Compromete sim a estabilidade nas curvas, passando por poças de água em pavimentação seca, em pavimentação molhada (chuva) então … vais precisar de mais espaço para efetivar a frenagem, maoior desgaste do sistema de freio, pastilhas e disco, reduzindo a vida útil do sistema.
    Bom esse teste, porém não tem informações completas do uso do pneu. Um pneu com pouca borracha ( gerando menor atrito ) também vai rodar mais que outro com mais borracha.

  • José sales 21 de abril de 2018

    Deve trazer muitos beneficios

  • JOAQUIM DIAS 21 de abril de 2018

    Se o pneu verde reduz o Atrito com o asfalto,pergunto ao frear ou quando o veiculo faz uma curva, a segurança do veiculo não fica comprometida?

  • Gustavo Furtado Reis 20 de abril de 2018

    E como fica a aderência? Em curvas o carro vai “escorregar”?

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