Combustível errado? O que fazer para não perder o motor

Na dúvida, estacione o carro e chame o reboque para levá-lo a uma oficina; não tente tirar o composto sozinho!

Por Laurie Andrade20/04/18 às 07h19

Parece pouco provável, mas não é incomum! Por descuido do motorista ou do frentista, um automóvel pode ser abastecido com o combustível errado. Por exemplo: se o cliente tem um SUV flex e, por equívoco, o carro recebe alguns litros de diesel, o melhor é mesmo chamar o guincho! Explicamos o que você deve fazer para evitar um bom prejuízo.

Em primeiro lugar, é preciso saber que o combustível errado deve ser retirado do tanque. E não basta extrair a quantidade colocada, toda a mistura precisa ser inutilizada. Isso porque, quando o veículo é abastecido, o combustível que já está no tanque se mistura com a conteúdo despejado.

O técnico automobilístico e consultor de mecânica João Barreto faz uma ressalva: “Não tente tirar o combustível sozinho. É muito complicado e um leigo pode até gerar um curto-circuito. Os carros novos, inclusive, têm uma válvula que não permite que o líquido seja extraído pela boca do tanque. O dispositivo foi criado para evitar que, num capotamento, o combustível vaze”.

O diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), Rogério Gonçalves, acrescenta: “O ideal é levar o veículo ao mecânico (no reboque) para que ele possa drenar o tanque com ferramentas adequadas. Qualquer outra ação no posto ou em casa é contrária às práticas de segurança e proteção ao meio ambiente”. Os centros automotivos possuem diretrizes para fazer o descarte correto dos combustíveis.

Parou para abastecer e o frentista colocou o combustível errado no tanque? Explicamos o que deve ser feito para que você não acabe com sistema de alimentação do seu carro e um prejuízo daquele no bolso.

As recomendações se diferem se considerarmos qual é o tipo de motor e combustível que foi colocado. De toda forma, o carro vai conseguir se locomover durante alguns poucos quilômetros. É que no sistema fica armazenado aproximadamente um litro de combustível. De acordo com o técnico automobilístico “assim que essa ‘reserva’ é consumida, a mistura com o composto equivocado entra no sistema e o carro começa a falhar e perder potência até o motor apagar”. Na pior das hipóteses, o erro pode custar os bicos injetores, o motor e o filtro de combustível.

Gonçalves ressalta, ainda, que só de manter o carro ligado por um tempo, a mistura incorreta circula no sistema de alimentação. “O automóvel vai pegar, mas como o sistema funciona sob pressão e a vazão é muito grande, o combustível contaminado logo vai chegar ao motor”.

O erro afeta o sistema de alimentação: em primeiro lugar o tanque, os filtros e a linha de combustível, depois a bomba pode ficar comprometida e os problemas chegam até os bicos injetores. A insistência em rodar com combustível errado pode inutilizar o propulsor.

Parou para abastecer e o frentista colocou o combustível errado no tanque? Explicamos o que deve ser feito para que você não acabe com sistema de alimentação do seu carro e um prejuízo daquele no bolso.

Veículos movidos a gasolina e etanol abastecidos com diesel

Se o motor do veículo abastecido for movido a gasolina ou a etanol e o combustível colocado for o diesel, os danos são muitos. Nesse caso, o ideal é nem colocar nem a mão na chave e logo chamar o reboque. O diesel é viscoso e deixa uma camada de óleo no tanque e nos bicos, que precisam ser limpos para voltar a funcionar bem. Atenção! Os cuidados devem ser tomados independentemente da quantidade de óleo diesel colocada no carro.

Carro a diesel abastecido com gasolina

O carro a diesel abastecido com gasolina não vai pegar. Nesse caso, a gasolina vai entrar em combustão espontânea e voltamos à recomendação inicial: se percebeu qualquer anomalia, leve o veículo para fazer uma inspeção.

Automóvel a gasolina abastecido com etanol

Se o automóvel for movido a gasolina e o frentista colocar etanol, a quantidade se faz relevante. “Quando o número de litros abastecido for menor do que a quantidade de combustível que já estava no tanque, você pode ir no carro até uma oficina” explica Barreto. O carro pode falhar e o consumo aumentará consideravelmente, mas os danos são poucos. Se a proporção de combustível errado for maior do que essa, o ideal é tirar o combustível antes de andar no veículo. Isso porque o sistema pode superaquecer.

Veículo a etanol abastecido com gasolina

A gasolina tem uma octanagem mais baixa que o etanol. Os carros mais antigos, com motores a etanol, tem uma taxa de compressão alta. O que pode acontecer, quando o motorista, por engano, coloca gasolina na mistura, é a detonação do motor ou batida de pino, que pode acabar quebrando o motor.

Combustível errado: diesel nos carros a diesel

Os automóveis com motor a diesel podem ter especificação. A maior parte das picapes e SUVs que utilizam o combustível devem ser abastecidos com o tipo S10, o que muitos não sabem, no entanto, é que abastecer com o S500 pode trazer prejuízos. O S500 é mais barato, mas destrói, ao longo do tempo, o sistema de emissões do veículo. Além de ser, ainda, prejudicial ao meio ambiente. No caso do abastecimento equivocado, basta completar o tanque com a especificação correta. Não há problemas se o motorista colocar S10 em um veículo que aceita S500.

Parou para abastecer e o frentista colocou o combustível errado no tanque? Explicamos o que deve ser feito para que você não acabe com sistema de alimentação do seu carro e um prejuízo daquele no bolso.

2 Comentários

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  • Antero Coelho 20 de abril de 2018

    Aconteceu comigo…tinha um Gol Flex e parei em um posto que tinha aquelas bombas com tres combustiveis, a frentista que estava em treinamento colocou diesel no gol…pra minha sorte, vi no momento que ela colocava a mangueira na bomba e notei a cor da “pistola” que era preta, sendo que a de alcool é verde e a de gasolina vermelha…
    Não liguei o carro e pra minha sorte o posto era ligado a uma oficina, do mesmo dono…empurramos o carro e foi feita uma lavagem do tanque…mesmo assim o carro ficou “fumando”…um bom tempo…mas não apresentou problemas…tive sorte…

  • Rodolfo 20 de abril de 2018

    Meu pai teve um caso muito curioso no início dos anos 70… ele tinha um Fusca que todos aqui sabem que é refrigerado a ar e não a água. Então ele deixou a chave com o frentista do posto de confiança e enquanto o carro era abastecido o meu pai foi ao banheiro.
    Por quando meu pai retorna o frentista diz:
    – Patrão já enchi o tanque e complei o nível da água do radiador.
    Meu pai pensou que era engano do frentista, como a pessoa pensa uma coisa e fala outra no automático.
    Então poucos metros depois de sair do posto o motor começou a fazer barulhos metálicos… meu pai encostou o carro e foi ver o óleo… estava na cor de café com leite, sinal de mistura de óleo com água.
    Resultado:
    Riscou os mancais de biela e bronzinas e teve que fazer a retífica completa da parte de baixo do motor. Desse dia em diante meu pai nunca mais saiu da frente do carro enquanto o mesmo é abastecido.

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