Pneus frisados? Em hipótese alguma!

Aprofundar os sulcos dos pneus coloca a vida dos ocupantes do veículo em risco

Por BORIS FELDMAN06/05/18 às 08h32

Você vai ao borracheiro para consertar um pneu furado. Depois do reparo, ao colocá-lo de volta no automóvel, ele observa: “Olha aqui, doutor, esses dois pneus traseiros estão bastantes gastos, na hora de trocá-los”. Se você concorda, ele vem logo com uma sugestão: “Eu tenho dois aqui usados, da mesma medida , em ótimo estado. Pela metade do preço do novo”. Você desconfia, pede para dar uma olhada e os pneus aparentemente estão em bom estado, com os sulcos de boa profundidade na banda de rodagem. Mas, atenção, podem ser pneus frisados!

Entretanto, pode apostar que são grandes as chances de uma picaretagem envolvida nesta oferta. Em princípio, não se compra pneus frisados ou usados, pois são vários os problemas “invisíveis” que podem aparecer a curto prazo. Para começo de conversa, um acidente pode ter danificado a carcaça e o borracheiro o submeteu a um conserto pouco recomendável aplicando um “manchão” interno que não será facilmente percebido.

Tão perigoso quanto este conserto é uma outra condenável operação que aprofunda os sulcos do pneu que já estava quase completamente “careca”. Para se conseguir uma “sobrevida”, o borracheiro entra em ação com um ferro especial aquecido e aprofunda os sulcos que já estavam quase sumindo. Numa olhada rápida, não se percebe o malfeito e tem-se a impressão de que o pneu ainda rodaria mais alguns milhares de quilômetros. É o que se chama de “frisagem”, um perigo que pode não durar mais que alguns quilômetros e colocar sua vida em risco. Não caia no conto do pneu frisado em hipótese alguma.

Não caia no conto dos pneus frisados! O procedimento pode não durar mais que alguns quilômetros e coloca a vida dos ocupantes do seu carro em risco.

Borracheiro “malandro” costuma argumentar que a operação de frisagem não envolve risco pois até existe oficialmente para pneus de muito maior responsabilidade, de veículos pesados. Qual o problema de se fazer o mesmo nos automóveis? Aí é que está a malandragem: pneus para ônibus e caminhões são projetados e fabricados para serem refrisados. Tanto que vem gravado “regroovable” na banda lateral, que em inglês significa “ressulcável”. Entretanto, é uma operação que jamais deve ser feita em pneus para automóveis.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

2 Comentários

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  • Roberto 7 de maio de 2018

    O texto traz 03 assuntos que são polêmicos:
    * Consertar pneu;
    * Frisar, ressulcar, riscar pneus de moto, automóveis;
    * Frisar, ressulcar, riscar pneus de caminhão e ônibus.
    A portaria 554 de 2015 do INMETRO permite o conserto de pneus de automóveis, caminhões e ônibus , nas empresas especializadas e que possuem o registro do INMETRO – na revista PNEWS tem a relação das empresas que tem o registro e no site do INMETRO também.
    A resolução do DENATRAN 558 de 1980 no artigo 4º, diz que os pneus tem que ter a marca do TWI (indicador mínimo de desgaste), como o ato de frisar, ressulcar e riscar é manual, não existe a possibilidade de refazer o TWI. Passível de multo e apreensão do veículo até a troca dos pneus, independente se for automóvel ou caminhão ou ônibus.
    O fato dos pneus de caminhão e ônibus serem fabricados para este ato, a resolução do DENATRAN 558/80 não permite.

  • Osmar Vonvossen 7 de maio de 2018

    Se o serviço for feito respeitando a integridade da carcaça não vai ter perigo algum…Mais tem certos profissionais que fazem a ressulcagem muito funda chegando até atingir a malha de aço…para que quem é leigo veja um pneu bonito…isso sim é picaretagem.

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