Quando chega a hora de trocar de seguradora

Leitor conta que a seguradora se negou a trocar a roda de liga leve do veículo após acidente, e sugeriu que levasse-a para reparo

Por BORIS FELDMAN09/07/18 às 19h10

Leitor da coluna diz que seu automóvel se envolveu em um acidente e que uma das rodas de liga-leve foi atingida e quebrou um pedaço. O carro era protegido por seguro e foi autorizado todo o seu reparo na oficina. Entretanto, da relação de peças para serem substituídas, a seguradora negou a troca da roda. Questionada, sugeriu que ela fosse reparada numa oficina especializada.

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Foto Shutterstock | Reprodução

O dono do carro não concorda, pois já leu nesta coluna e foi alertado pela própria oficina de que roda de liga leve não deve ser reparada quando sofre um grande dano. Perde um pedaço, ou se dobra ou racha. Nenhum problema quando ela esbarra no meio-fio, quando há um dano de pequena monta. Mas o reparo que exige solda, por exemplo, é mais complexo pois deve ser feito um controle de qualidade diante da possibilidade de trincas ou bolhas internas não visíveis a olho nu.

Estas imperfeições internas são detectadas apenas por aparelhos sofisticados do tipo ultrassom ou raio-x. O problema destas fissuras internas é que fragilizam a estrutura da roda que pode não suportar um esforço mais violento numa curva ou freada e se partir novamente no mesmo lugar.

Além da roda, outro item que deve ser necessariamente substituído é o cinto de segurança submetido a um impacto. Se ele cumpriu sua função de proteger o motorista e passageiros no caso de um acidente, ele provavelmente teve sua resistência reduzida e corre o risco de se romper num próximo impacto.

Existem componentes do automóvel que permitem recuperação e voltam a oferecer a mesma resistência inicial. Mas alguns que, assim como rodas ou cintos, exigem substituição para não comprometerem a segurança e a integridade dos passageiros. Ou alguém vai se sentir seguro ao dirigir um carro que teve uma peça da direção rompida e soldada?

Nestes casos em que algumas seguradoras exageram irresponsavelmente na tentativa de reduzir seus custos, o dono do carro não deve hesitar em trocar ele mesmo os componentes atingidos. E solicitar depois o reembolso nem que seja judicialmente.

Aliás, além de trocar os componentes atingidos, deve aproveitar e trocar também de seguradora.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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