Economizador de combustível: é mágica ou picaretagem?

O economizador de vapor funciona, mas só para otimizar a situação financeira de quem o fabricou, e é às custas da sua

Por BORIS FELDMAN09/07/18 às 17h10

Dois leitores da coluna enviaram mensagens semelhantes. Ambos viram na internet o anúncio de um dispositivo que leva o vapor de gasolina do tanque para ser queimado no motor. O fabricante não poupa (é claro) elogios ao produto e afirma que reduz o consumo de combustível. Os leitores se interessaram e querem saber se o economizador é confiável. Se reduzem, de fato, o consumo. E, neste caso, se não provocam algum dano ao motor.

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Procurei o tal anúncio e o dispositivo não passa de uma mangueira que recolhe os gases da gasolina do tanque e os conduzem ao coletor de admissão do motor. Com alguns badulaques extras pelo caminho.

Sem dúvida nenhuma que o tal dispositivo, anunciado como economizador, funciona. Mas não para quem o compra, e sim para a situação econômica de quem o fabrica. Que deve estar faturando horrores às custas dos motoristas que acreditam nesta mágica, o adquirem e o instalam na certeza de que vão economizar.

O primeiro problema deste aparelho mágico é que, ao aumentar o volume de gasolina (ou de seus vapores) na entrada do motor, ele está modificando a relação (chamada estequiométrica), a proporção entre ar e combustível e alterando assim a regulagem do motor. Pode até resultar num excesso na mistura, que prejudica seu funcionamento.

Em segundo lugar, esse vapor de gasolina é combustível. Ou seja, é inflamável e pode acabar provocando uma explosão, caso não seja projetado com segurança.

Não custa repetir aqui que este “economizador de araque” é mais um entre dezenas anunciados pela internet. Sempre com um vídeo que “comprova” os bons resultados, nenhum deles apresenta, na prática, resultados que sequer chegam perto dos divulgados. A revista Quatro Rodas chegou a testar um deles para concluir que, se o consumo não for o mesmo, chega a ser maior.

Além disso, se estes economizadores funcionassem de fato, alguma fábrica de automóveis não iria correr atrás de seu inventor e comprar a patente?

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

1 Comentário

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  • Rodolfo 9 de julho de 2018

    Caro Boris, boa noite!
    …. Esse é o velho conto do vigário, que sempre se atualiza e só muda de nome e sempre faz novas vítimas. Porém quem engana os outros acha que um dia não terá que prestar contas… pobre coitado, será cobrado com juros e correção monetária, se ele não acredita em vida após a morte eu acredito.
    …. Cada um vai para o plano que merece… e de quem engana as pessoas para tirar vantagens não deve ser um lugar bom…
    Um forte abraço,
    Rodolfo
    Engenheiro Mecânico

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