Quem gosta de chuva é… oficina de lanternagem e pintura

No setor automobilístico, quem gosta de chuva é oficina de lanternagem e pintura... As estatísticas revelam que o número de acidentes, nas ruas e estradas molhadas, quase dobram, pela redução de atrito entre o pneu e o asfalto.

Por BORIS FELDMAN24/05/18 às 09h50

No setor automobilístico, quem gosta de chuva é oficina de lanternagem e pintura… As estatísticas revelam que o número de acidentes, nas ruas e estradas molhadas, quase dobram, pela redução de atrito entre o pneu e o asfalto. Se a aderência é menor, o carro demora muito mais até parar, ao ser freado. Numa curva de estrada que um carro poderia fazer a 80 km/h com o asfalto seco, na pista molhada a velocidade tem que ser reduzida.

Outro problema que muitos motoristas não percebem é o perigo das primeiras chuvas. Depois de meses e meses de seca, sem receber uma gota de água, o asfalto vai acumulando todo o tipo de sujeira. Forma-se então uma sutil camada de terra misturada com óleo que pingou dos veículos e outros detritos.

Quem gosta de chuva é... oficina de lanternagem e pintura

O resultado é uma gosma que, com a água da chuva, forma uma perigosa lâmina, perfeita para reduzir ainda mais a aderência, aumentado a distância de frenagem ou fazendo o carro escorregar lateralmente na curva. Essa gosma só desaparece depois de alguns dias de chuva, quando o asfalto fica limpo.

Outro problema no início das chuvas é o motorista desleixado com os pneus. Se eles estão chegando ao limite do desgaste permitido e quase carecas, podem “quebrar o galho” no asfalto seco. Mas quando o piso está molhado, eles aumentam consideravelmente o risco de um acidente se estiverem com os frisos abaixo da espessura mínima (1,6 mm).

Pois são estes frisos os responsáveis por tirar a água entre o pneu e o asfalto. E, quanto mais água, menor o atrito e a aderência. Não é por acaso que, nas corridas de automóveis, quando começa a primeira chuva, as equipes correm para trocar os pneus lisos “slicks” pelo frisados (“biscoitinhos”).

Como saber se os frisos na banda de rodagem estão dentro das especificações? A profundidade mínima corresponde à cabeça de um pau de fósforo. Mas existem uns “tijolinhos” da própria borracha no fundo do sulco: quando começam também a se desgastar, é porque está na hora de trocar o pneu.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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