Não trocar as pastilhas de freio danifica o disco

A negligência com uma pode levar ao desgaste do outro

Por BORIS FELDMAN23/05/18 às 18h20

O sistema de freios é um caso típico da manutenção corretiva que pesa desnecessariamente no bolso de quem se esquece (ou se recusa) de levar o carro para a preventiva, ou seja, para as revisões periódicas. Os freios funcionam com pastilhas pressionadas contra discos. As pastilhas de freio são compostas de uma base de aço sobre a qual se deposita um revestimento de material mais macio. Ele faz o contato contra o disco e provoca o atrito que reduz a velocidade do carro. E se desgasta com o tempo.

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As pastilhas de freio devem ser verificadas periodicamente para se avaliar a espessura do material de revestimento sobre a base de aço. Em alguns poucos modelos, quando ele atinge um valor mínimo, o motorista é alertado por uma luz no painel. Normalmente a verificação é visual, muito simples e, na maioria dos casos, não há necessidade de desmontar nada no automóvel. Se a pastilha não for substituída, o material de revestimento se desgasta e a base de aço entra em contato com o disco, danificando-o.

É o caso típico da manutenção corretiva que vai custar muito mais, pois, além da troca das pastilhas, haverá necessidade de retificar ou trocar o disco e por isso recomenda-se a verificação da pastilha a cada cinco ou dez mil quilômetros. As que equipam veículos mais pesados tem sua durabilidade às vezes reduzida à metade. Alguns chiados gerados no contato entre as pastilhas de freio e o disco são comuns. Mas quando eles se agravam e o motorista percebe um ranger no pedal do freio, é sinal de que a base de aço já está em contato com o disco.

Quanto ao disco dos freios, se as pastilhas forem substituídas em tempo hábil, ele pode continuar em operação. Caso tenham surgido alguns frisos, basta uma ligeira intervenção para deixá-lo novamente liso. Se a pastilha não foi trocada e a base de aço encostou no disco, os danos são mais profundos e será necessária uma verificação. Se for possível uma retífica do disco sem ultrapassar a espessura mínima recomenda pela fábrica, o problema está resolvido. Caso contrário, os discos devem também ser substituídos. Aliás, boa noticia é que, em muitos casos, o custo para a aquisição de novos discos é inferior ao de seu reparo por uma retífica.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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