“Tripinha” é insegura?

Por BORIS FELDMAN10/11/16 às 16h00

Projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados tenta tornar obrigatório que o estepe seja igual aos outros quatro pneus. Provavelmente elaborado por um parlamentar que “queimou no golpe” quando teve seu pneu furado e forçado a utilizar aquela “tripinha” de borracha…

O projeto (PL 82/15) se deve à tendência mundial de se colocar como sobressalente aquela roda menorzinha, fininha, chamada de “estepe de emergência”. A defesa de que o pneu no porta-malas deve ser igual aos outros quatro é sua falta de segurança. Pois ele deve ser utilizado com velocidade limitada até se chegar ao borracheiro para reparar o que furou.

Não há dúvida de que o carro tem sua estabilidade prejudicada com esta roda, mas há pontos positivos. Principal vantagem é ocupar menor espaço no porta-malas. Com a tendência de se equipar o carro com pneus de maior diâmetro e mais largos, as rodas atualmente são cada vez maiores e roubariam um volume cada vez maior no porta-malas. Algumas fábricas, para evitar o estepe de emergência, realocaram o sobressalente na parte inferior da traseira do carro, evitando assim a perda de espaço no porta-malas. Pior a emenda que o soneto, pois a operação para retirá-lo obriga o motorista a uma verdadeira ginástica. E, estando do lado de fora, ainda o deixa mais sujeito a ser levado pelos “amigos do alheio”.

Além disso, a roda de emergência é mais leve e portanto contribui para a redução de consumo e emissões. Como a maioria dos projetos de novos automóveis prevê esta solução, o Brasil talvez fosse o único país do mundo a proibir a solução. E as fábricas teriam que mudar todo o projeto do porta-malas para acomodar o estepe se o PL for aprovado.

Argumento final a favor do estepe de emergência é que, ao contrário do passado, os pneus hoje estão cada vez mais resistentes a furos e se torna cada vez mais rara a necessidade de sua substituição. Estão lembrados de vários automóveis antigos que carregavam dois estepes, um em cada para-lamas dianteiro?

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