Empresa centenária de ônibus em SP anuncia compra de 20 Volvos elétricos com 250 km de autonomia
Volvo BZRLE leva 82 passageiros e roda até 250 km por carga; São Paulo concentra cerca de 80% dos ônibus elétricos do país
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 03/11/2026 às 11h00
Uma das operadoras de ônibus mais antigas de São Paulo, com quase cem anos de história, encomendou 20 modelos elétricos para rotas urbanas.
A Viação Gato Preto, fundada em 1927, escolheu o Volvo BZRLE. A empresa atende as zonas noroeste e sudoeste da capital paulista e tem 370 ônibus — cerca de um terço deles da Volvo.
Cada ônibus terá carroceria Caio eMillenium de 13,5 m, com lugar para 82 passageiros. O chassi tem dois motores elétricos que somam 544 cv e quatro baterias de 90 kWh, que garantem autonomia de até 250 km, segundo a Volvo.
Em um carregador de 250 kW, a recarga leva pouco mais de uma hora. A marca também destaca o câmbio automatizado de duas marchas, que ajuda a recuperar energia nas frenagens.
A compra segue uma regra da cidade: desde outubro de 2022, as operadoras de São Paulo não podem incluir ônibus novos a diesel na frota.
Elétricos ainda são exceção no país

A capital paulista concentra cerca de 80% dos ônibus elétricos do Brasil. Em setembro, a frota da cidade passou de 2 mil veículos, sendo 1.821 a bateria e 188 trólebus (ligados à rede elétrica aérea).
No país, os ônibus a bateria já passam de 2,2 mil, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). É pouco diante dos cerca de 130 mil ônibus urbanos a diesel, mas o ritmo acelerou: os emplacamentos saltaram de 86 em 2023 para 849 em 2025.
As vantagens começam pelo escapamento, que não existe: o elétrico não emite poluentes enquanto roda. Ele também é mais silencioso, vibra menos e tem menos peças sujeitas a desgaste, o que tende a baratear a manutenção. Dependendo da tarifa de energia, pode custar menos para rodar.
Preço e recarga ainda pesam
A principal barreira é o preço. Um ônibus elétrico custa de R$ 2,5 milhões a R$ 3 milhões, ante R$ 700 mil a R$ 900 mil de um modelo a diesel equivalente. Em São Paulo, a prefeitura banca a maior parte da diferença.
Há ainda a infraestrutura: as garagens precisam de transformadores, subestações e carregadores. A autonomia limitada e a eventual troca de baterias ao longo da vida útil também entram na conta.
Para levar a tecnologia a outras cidades, o BNDES aposta no crédito. Na última sexta-feira (30), o banco aprovou R$ 879,4 milhões para São José dos Campos (SP) trocar toda a frota por 400 elétricos até 2027. A previsão é que os elétricos sejam 28% dos ônibus urbanos vendidos no país em 2035.
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