A China não faz só carro elétrico: fábrica perto de Xangai estampa Mustang 1967 e Porsche 911 zero-quilômetro

Fabricante produz peças e estruturas completas para modelos históricos que já não contam com suporte das montadoras

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Enquanto faz elétrico, China também produz carrocerias zero-quilômetro para clássicos (Foto: Jiangsu Juncheng | Reprodução)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 03/06/2026 às 19h00

Enquanto a indústria automotiva chinesa ganha o mundo com seus carros elétricos, uma fábrica pouco conhecida na cidade de Baoying, a cerca de três horas de Xangai, se especializou em mover o ponteiro para o lado contrário: estampa carrocerias novas, em aço, para clássicos consagrados do automobilismo —sem qualquer envolvimento das montadoras originais. A Jiangsu Juncheng Vehicle Industry Co. produz componentes inéditos para modelos que já não contam com oferta ampla de peças originais.

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Entre os modelos atendidos estão o Toyota AE86 —ícone do drift, cujas peças a Toyota deixou de fornecer em larga escala há anos—, o Ford Bronco de primeira geração, o Datsun 240Z, o Toyota Land Cruiser e o Ford Mustang 1967. Em breve, a empresa também passará a estampar carrocerias do Porsche 911 da geração 964 e do icônico Mercedes-Benz 300 SL Gullwing.

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O processo começa pelo desenvolvimento das matrizes usadas na estampagem das peças. A empresa esculpe blocos de aço de alta resistência em máquinas CNC, e um especialista faz o acabamento manual antes que cada matriz seja levada à linha de produção, onde estampa os componentes com precisão.

Além de peças estruturais como capôs, portas e para-lamas, a Juncheng também produz suportes, reforços e pequenos componentes necessários para reproduzir fielmente as carrocerias originais.

A operação só veio à luz internacionalmente depois que Larry Chen, fotógrafo ligado à plataforma americana Hagerty, especializada em clássicos, visitou a fábrica e publicou as imagens no YouTube. Uma carroceria de Bronco produzida pela Juncheng já foi usada em um restomod nos Estados Unidos que acabou vendido por US$ 400 mil (cerca de R$ 2 milhões).

Com a valorização dos clássicos e a escassez de peças originais, fábricas como a Juncheng vêm se tornando elo essencial para manter na ativa modelos que as próprias montadoras já abandonaram —e para alimentar o crescente mercado de restomods, em que veículos antigos recebem mecânica e acabamentos contemporâneos.

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