A montadora que defendia botões mudou de lado e o argumento dela vai dividir opiniões

Depois de anos defendendo botões físicos, a Mazda aposta em telas no novo CX-5 e diz que a mudança deixa o motorista mais seguro

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A marca que mais criticou as telas sensíveis ao toque mudou de lado (Fotos: Mazda | Divulgação)
Por João Paulo Profeta
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 19/06/2026 às 22h00

A Mazda, historicamente uma das maiores defensoras dos botões físicos no painel, protagonizou uma reviravolta de posicionamento com o novo CX-5 2026. A montadora japonesa, que por anos criticou as telas sensíveis ao toque como fonte de distração, agora sustenta que a tecnologia pode ser, na verdade, mais segura para o motorista.

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A justificativa partiu do gerente de programa do CX-5, Koichiro Yamaguchi. Segundo ele, o arranjo tradicional, com painéis inferiores que chegam a reunir 15 interruptores de aparência semelhante, obriga o condutor a desviar o olhar da estrada por mais tempo para localizar a função desejada.

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Antiga geração do Mazda CX-5 aposta em telas menores e botões mais acessíveis

Antiga geração do Mazda CX-5 aposta em telas menores e botões mais acessíveisA guinada chama atenção porque a Mazda resistiu à febre das telas gigantes por mais tempo do que quase qualquer concorrente. Enquanto boa parte da indústria avançava para painéis dominados por vidro, a marca insistia em centrais de tamanho modesto comandadas por um controlador rotativo no console. Não por acaso, assim que o novo CX-5 foi revelado, boa parte da repercussão se concentrou justamente no sumiço dos botões. Com o modelo, essa resistência chega ao fim.

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Na prática, a marca substituiu a antiga central de 10,25″, operada pelo controlador rotativo, por uma tela bem maior: 12,9″ de série e 15,6″ na versão topo de linha. O conjunto traz o sistema Google integrado, além de Apple CarPlay e Android Auto. Para reduzir o tempo de olhos fora da pista, a montadora manteve na coluna de direção os comandos de uso mais frequente, como o volume, e passou a concentrar o controle de climatização no próprio visor.

O raciocínio de Yamaguchi é que a posição mais elevada da tela permite ao motorista conferir as funções com um movimento de olhar muito menor do que o exigido por botões baixos, o que diminuiria a carga cognitiva e o desvio de atenção.

Apesar da aposta, a Mazda adota um tom cauteloso. Yamaguchi disse que a empresa está disposta a ouvir os clientes e não descarta voltar atrás, reintroduzindo botões, caso o público demonstre preferência ou dificuldade com a nova interface. “Precisamos primeiro do retorno dos consumidores”, declarou. Por ora, a estratégia é equilibrar a modernidade das telas com a exigência de segurança ao volante, em um momento em que parte da indústria, na contramão, voltou a recuperar comandos físicos.

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