Aneel quer que distribuidoras monitorem carros elétricos e baterias ligados à rede

Proposta classifica os equipamentos pela forma como interagem com a rede e prevê requisitos de monitoramento e de resposta a comandos

carregadores de carros elétricos mão de pessoa plugando um carregador em carro elétrico ou híbrido plug in branco
Aneel quer modernizar regras para conexão de geração solar, armazenamento, veículos elétricos e cargas controláveis (Foto: AutoPapo | Acervo)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 11/09/2026 às 11h00

Carros elétricos, baterias e sistemas de geração solar instalados em casas e empresas podem passar a ser monitorados — e, em algumas situações, comandados à distância — pelas distribuidoras de energia. É o que prevê a proposta colocada em consulta pública pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), aberta na quinta-feira (10) e que recebe contribuições até 9 de novembro.

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A consulta atualiza o Módulo 3 dos Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica (Prodist) e cria uma abordagem integrada para os chamados Recursos Energéticos Distribuídos (REDs), categoria que reúne geração solar distribuída, sistemas de armazenamento, veículos elétricos e cargas capazes de ajustar o consumo conforme as condições da rede.

Regra passa a olhar a função, não a tecnologia

Em vez de fixar exigências separadas para cada tipo de equipamento, a minuta classifica os recursos pela forma como interagem com a rede: se injetam energia, se absorvem eletricidade ou se conseguem ajustar o próprio funcionamento sob comando. A partir daí, estabelece requisitos de monitoramento, comunicação e resposta a comandos, além de regras de proteção, qualidade da energia e controle da potência injetada — tudo em patamares mínimos de observabilidade, operabilidade e controlabilidade.

As exigências poderão variar conforme o porte e o impacto de cada recurso sobre a rede, o que tende a poupar instalações residenciais menores das obrigações mais pesadas. A Aneel também afirma que a proposta define funcionalidades esperadas sem especificar marcas, equipamentos ou soluções, justamente para não travar tecnologias que ainda não chegaram ao mercado.

Na prática, o carro elétrico deixa de ser tratado apenas como uma carga e entra no mesmo arcabouço das baterias estacionárias. Nada muda de imediato: o texto é uma minuta, e as regras só valem depois de encerrada a consulta e de decisão da diretoria da agência.

Equipamentos já instalados entram na discussão

Um ponto sensível está anexado à consulta: junto com a minuta, a Aneel colocou em debate um Relatório de Análise de Impacto Regulatório sobre a aplicação dos requisitos de interoperabilidade ao parque já existente de recursos distribuídos — ou seja, aos sistemas solares, carregadores e baterias que já estão instalados. É o trecho que deve concentrar as contribuições de fabricantes e de associações do setor.

A proposta nasceu de um trabalho do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) em cooperação com a própria Aneel e com pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).

O pano de fundo é a perda do fluxo em sentido único: uma casa com painéis solares alterna entre consumir da rede e injetar excedentes, e uma bateria pode armazenar eletricidade para devolvê-la horas depois.

A consulta fica aberta por 60 dias. Consumidores, distribuidoras, fabricantes, universidades e demais interessados podem enviar sugestões pelo e-mail.

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