Fim da autoescola obrigatória triplica a procura por CNH no Brasil; veja os números
Ministério dos Transportes contabiliza 7,3 milhões de pedidos em nove meses e estima economia de quase R$ 10 bilhões aos motoristas
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 11/09/2026 às 12h00
Os pedidos de primeira habilitação no Brasil cresceram 216% nos nove primeiros meses de vigência do programa CNH do Brasil, segundo o Ministério dos Transportes. O país passou de 2,3 milhões de requerimentos no período equivalente de 2025 para 7,3 milhões em 2026. Mais de 2 milhões de motoristas já concluíram o processo e receberam a carteira sob as novas regras.
O salto na procura acompanha a Resolução 1.020/2025 do Contran, publicada em dezembro do ano passado e aplicada de forma gradual pelos Detrans ao longo de 2026. A norma encerrou a obrigatoriedade de frequentar autoescola, transferiu o curso teórico para o ambiente digital e reduziu a carga horária exigida antes dos exames, barateando sensivelmente o processo.
Curso teórico gratuito e duas horas de aula prática
No modelo anterior, o candidato precisava cumprir 45 horas de aulas teóricas presenciais e 20 horas de prática registradas no Detran. Agora, o conteúdo teórico é oferecido on-line e sem custo pelo Ministério dos Transportes, e o mínimo obrigatório de direção caiu para duas horas, com liberdade para contratar aulas adicionais.
Os candidatos também passaram a poder contratar instrutores autônomos credenciados para a formação prática. A modalidade respondeu por 553 mil dos 4,2 milhões de cursos práticos registrados em 2026, o equivalente a 13,2% do total. Os centros de formação de condutores concentram os 86,8% restantes.
De acordo com a pasta, as mudanças geraram economia de quase R$ 10 bilhões para os motoristas. O cálculo do governo considera a queda nos preços dos cursos teórico e prático, dos exames médicos e da renovação da CNH, além dos deslocamentos dispensados pela migração de etapas para o ambiente digital.
O perfil de quem busca a habilitação também mudou. Entre as mulheres, as entradas no processo cresceram 18%, passando de 1,06 milhão para 1,25 milhão, acréscimo de pouco mais de 190 mil. O Nordeste registrou o maior indicador de processos iniciados, com 54,7%, seguido pelo Norte, com 31,9%.
Autoescolas contestam o novo modelo
A flexibilização é contestada pelo setor de formação. A Federação Nacional das Autoescolas (Feneauto) estima que cerca de 100 mil postos de trabalho tenham sido eliminados desde a entrada em vigor das regras, em número que não foi confirmado por levantamentos do Caged ou do IBGE, e questiona pontos da resolução no Supremo Tribunal Federal. Para a entidade, a redução da carga horária compromete a qualidade da formação e, no médio prazo, a segurança viária.
O Ministério dos Transportes rebate as críticas. Afirma que os instrutores autônomos seguem submetidos ao Código de Trânsito Brasileiro e à Lei 12.302/2010, sujeitos a fiscalização e a descredenciamento em caso de irregularidade. A pasta sustenta ainda que o novo desenho busca regularizar os cerca de 20 milhões de brasileiros que dirigem sem carteira, segundo estimativa da Senatran.
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