Bateria de carro elétrico ‘vicia’ em cerca de 10% após 100.000 km, conclui estudo com 500.000 veículos

Levantamento da Aviloo com 20 modelos usados aponta perda lenta e mostra que temperatura e hábitos de recarga pesam mais que a marca

Audi A2 e tron production at the Ingolstadt site
Baterias de carros elétricos mantêm de 87% a 94% da capacidade aos 150 mil km, apontou estudo (Foto: Audi | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 11/09/2026 às 13h00
Atualizado em 11/09/2026 às 13h27

Uma análise que reuniu dados de mais de 500 mil veículos elétricos em circulação indica que as suas baterias chegam aos 150 mil km preservando entre 87% e 94% da capacidade original. O levantamento é da Aviloo, empresa austríaca especializada em diagnóstico de baterias, e comparou 20 modelos usados de diferentes fabricantes produzidos entre 2022 e 2026.

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Os marcos intermediários mostram um desgaste mais lento do que o senso comum sugere. Aos 50 mil km, a mediana do estado de saúde das baterias, medido pelo indicador SoH (state of health), ficou entre 91% e 97%. Aos 100 mil km, o intervalo caiu apenas para 88% a 95%.

Curva em S e diferenças entre modelos

Segundo a Aviloo, a degradação segue uma curva em formato de S: perda moderada nos primeiros anos, um longo platô de estabilidade e queda mais acentuada apenas perto do fim da vida útil.

No recorte por modelo, o Mercedes EQA ocupou a primeira posição, com média de 94% de SoH, seguido por Hyundai Ioniq 5 (93,8%) e BMW i4 (93,6%). Na outra ponta aparecem Tesla Model 3 (88,9%), Mini Cooper SE (87,1%) e Nissan Leaf (86,7%).

A empresa pondera que a posição na tabela não atesta qualidade do conjunto. Carros com baterias menores precisam completar mais ciclos de recarga para percorrer a mesma distância, o que acelera o desgaste. A variação entre unidades do mesmo modelo, aliás, é expressiva: no Leaf de segunda geração, a diferença de SoH aos 150 mil km chegou a 13,5 pontos percentuais, o equivalente a cerca de 29 km de autonomia real por recarga. O Tesla Model Y registrou até 11 pontos de dispersão, o Volkswagen ID.4 ficou entre 11 e 12 pontos e o Ioniq 5 superou 12 pontos.

Temperatura e rotina de recarga pesam tanto quanto o modelo

Os pesquisadores apontam três fatores determinantes: temperatura ambiente, hábitos de recarga e o nível de carga mantido quando o carro fica parado por longos períodos. Baterias usadas em regiões mais quentes perdem capacidade mais rapidamente, ponto relevante para o clima brasileiro. A recomendação do estudo é manter o carro entre 30% e 70% de carga durante períodos prolongados de inatividade, evitando deixá-lo estacionado em 80%, 90% ou 100% sem necessidade.

Na prática, a retenção observada tem efeito direto sobre a autonomia de um usado. Um BMW iX3 homologado em 698 km no ciclo norte-americano EPA entregaria entre cerca de 607 km e 656 km depois de 150 mil km rodados.

O estudo também associa substituições prematuras a defeitos pontuais, não ao desgaste natural. No Brasil, a bateria costuma ter cobertura própria e mais longa que a do restante do veículo: a BYD oferece oito anos ou 200 mil km, com garantia de SoH acima de 70%, enquanto a Volvo cobre oito anos ou 160 mil km. Os números da Aviloo enfraquecem o temor de uma troca de bateria na casa dos R$ 127.500 poucos anos após a compra.

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