BYD pode assumir fábrica histórica da Volkswagen na Alemanha para não deixá-la vazia

Em crise de ociosidade, Volkswagen estuda compartilhar a icônica "Fábrica de Vidro" com a rival BYD; acordo também pode melhorar relação entre os países

Fábrica da Volkswagen em Dresden
Fábrica de Dresden é uma das mais famosas da Volks, mas não produz carros desde o ano passado (Foto: Volkswagen | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 05/05/2026 às 21h00

A gigante chinesa BYD está em negociações avançadas com a Volkswagen para assumir parte da icônica unidade industrial de Dresden, na Alemanha. A movimentação, segundo o site CarNewsChina, marca um novo capítulo na reconfiguração da indústria automotiva global, onde fabricantes tradicionais europeias buscam mitigar a ociosidade de suas plantas enquanto marcas asiáticas querem utilizá-las contornar barreiras alfandegárias no continente. A planta da Volks em Dresden, conhecida como “Fábrica de Vidro”, teve a produção de veículos interrompida no final de 2025.

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Drible tarifário e parcerias estratégicas

A instalação em solo alemão permitiria à BYD consolidar sua presença na Europa como fabricante local, eliminando a dependência de importações sujeitas a pesadas taxas. Atualmente, os elétricos vindos da China enfrentam o imposto padrão de 10% somado a uma sobretaxa de até 17% aplicada pela Comissão Europeia, sob alegação de subsídios estatais ilegais em Pequim. Além da ocupação industrial, o projeto prevê a transformação de parte do espaço em um centro de inovação tecnológica, em colaboração com o estado da Saxônia e a Universidade Técnica de Dresden (TU Dresden).

Ociosidade alemã e o novo mapa industrial

Para a Volkswagen, o compartilhamento de instalações ociosas é visto por executivos como uma solução pragmática para reduzir custos operacionais fixos em um momento de queda nas margens de lucro. A tendência não se restringe à BYD: marcas como Xpeng e MG também monitoram a disponibilidade de plantas fabris de grupos europeus. A escolha da Alemanha como base produtiva possui contorno político, uma vez que Berlim votou contra as tarifas protecionistas de Bruxelas, sinalizando um ambiente mais receptivo ao capital chinês.

Embora as conversas estejam em estágio exploratório, o desfecho do imbróglio entre a UE e Pequim sobre preços mínimos de importação deve acelerar as definições. Procurada pelo CarNewsChina, a BYD não quis comentar as negociações. Já a Volkswagen limitou-se a negar eventuais inconsistências nas informações de mercado, sem descartar futuras parcerias industriais em suas unidades subutilizadas.

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