Carro de 1.000 cv que anda de cabeça para baixo estreia por R$ 6,9 milhões
Depois de colecionar recordes em pistas, o monoposto elétrico entra em produção com downforce por ventoinhas e pique de Fórmula 1
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 03/07/2026 às 09h00
Depois de anos de testes e uma sequência de recordes em pistas ao redor do mundo, a McMurtry iniciou oficialmente a produção do Spéirling PURE. O hipercarro elétrico monoposto — feito exclusivamente para uso em pista — chega ao mercado com a ficha técnica definitiva e a promessa de entregar desempenho comparável ao de um carro de Fórmula 1. Os primeiros 25 exemplares já estão vendidos, a partir de £ 995 mil (cerca de R$ 6,9 milhões), antes de impostos e opcionais.
Alimentado por uma bateria de 100 kWh e dois motores elétricos no eixo traseiro, o modelo desenvolve cerca de 1.014 cv. Segundo a fabricante, acelera de 0 a 96 km/h em apenas 1,55 segundo e atinge a velocidade máxima de 306 km/h.

De cabeça para baixo
Seu principal diferencial é o sistema patenteado Downforce-on-Demand, que usa ventoinhas para gerar até 2.000 kg de pressão aerodinâmica mesmo com o carro parado, o que permite forças de até 3g em curvas e frenagens.
Antes de virar um produto de fábrica, o Spéirling ganhou fama ao colecionar recordes: subiu a rampa do Goodwood Festival of Speed em 39,08 segundos, superou um carro de Fórmula 1 na pista de testes do Top Gear, bateu o tempo do Mercedes-AMG One em Hockenheim por 14,1 segundos e se tornou o primeiro carro a rodar de cabeça para baixo, graças à força de sucção das ventoinhas.

Apesar do desempenho extremo, a McMurtry afirma que o Spéirling foi concebido para ser mais simples de operar e manter do que outros hipercarros de pista. “É um nível de desempenho de Fórmula 1, mas com uma experiência de propriedade mais parecida com a de um Porsche 911 GT3 RS”, resume o diretor-gerente Thomas Yates, que destaca o foco em reduzir os custos de operação.
Em relação aos protótipos que quebraram recordes, cerca de 95% dos componentes foram revistos: a versão de produção recebeu bateria maior, monocoque de fibra de carbono redesenhado, cockpit mais espaçoso, melhor visibilidade, iluminação integrada, manutenção facilitada e até um espaço para guardar capacete e dispositivo HANS sob a asa traseira.
A proposta ajuda a explicar por que a McMurtry se destaca em um segmento repleto de projetos ambiciosos que nunca saem do papel: além de prometer números absurdos, o Spéirling PURE existe de fato, em versão de produção — e com fila de compradores.


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