“Cavalo de Troia”: startup do Zimbábue diz que a Toyota copiou sua invenção após financiá-la
Startup que criou triciclos elétricos para agricultoras no Zimbábue acusa a montadora de roubar tecnologia após financiá-la em 2019
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 25/06/2026 às 12h00
A Toyota enfrenta um processo na Justiça federal dos Estados Unidos movido pela startup Mobility for Africa (MFA), que acusa a montadora de ter copiado seu triciclo elétrico e se apropriado de tecnologia. A ação, protocolada em maio em um tribunal da Califórnia, mira a Toyota Mobility Foundation (TMF) — braço filantrópico da empresa — e sua consultoria, a EXA Innovation Studio, sob alegações de apropriação indevida de segredos comerciais, quebra de contrato e fraude.
No centro da disputa está o Hamba, triciclo elétrico de carga criado pela MFA para atender pequenas agricultoras em zonas rurais do Zimbábue. O veículo transporta até 400 kg, alcança cerca de 96 km por recarga e funciona com baterias trocáveis, reabastecidas em estações movidas a energia solar. Fundada em 2018 por Shantha Bloemen, veterana de 21 anos na Unicef, a MFA acumula prêmios internacionais de inovação e de acesso à energia. Desde 2019, já colocou cerca de 600 unidades nas estradas de terra do país, com mulheres representando até 70% dos clientes.
Segundo a denúncia, a parceria foi um “cavalo de Troia”. A fundadora da MFA, Bloemen, sustenta que a Toyota, após um aporte inicial de cerca de R$ 1,97 milhão (380 mil dólares) em 2019, usou o acesso concedido para coletar dados operacionais, projetos técnicos e modelos de negócio da startup — informações que, por contrato, deveriam permanecer protegidas.
Em 2022, a fundação criou um projeto-piloto no Quênia, apresentado como parceria com a MFA. No ano passado, porém, Bloemen afirma ter descoberto que a TMF repassara a tecnologia à EXA, que então teria ajudado a montar a Songa Mobility — empresa com fins lucrativos que oferece soluções “virtualmente idênticas”, com triciclos, hubs de carregamento solar e troca de baterias, e disputa a mesma fatia de financiamento internacional. A startup alega que a manobra a deixou sem o capital necessário para sobreviver.
“Em vez de investir nos empreendedores africanos que a criaram, eles escolheram copiar, replicar e controlar o que construímos”, afirmou Bloemen. A MFA pede indenização e uma ordem judicial que impeça o uso de sua propriedade intelectual.
O episódio ocorre em um momento em que a Toyota é criticada por avançar mais devagar que parte das concorrentes na eletrificação. Procurada, a Toyota Mobility Foundation disse ao jornal The New York Times estar ciente do caso e que o está apurando. A montadora ainda não apresentou resposta formal à Justiça, e as acusações seguem sem comprovação.
👍 Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.
|
|
|
|
X
|
|
|
Siga no
|
||||
Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:
Podcast - Ouviu na Rádio
|
AutoPapo Podcast
|
