CEO da Ford elogiou carros chineses e agora defende bani-los dos EUA

Executivo vê riscos econômicos sem precedentes e aponta "porta dos fundos" via México para fabricantes como BYD

jim farley ceo da ford
Jim Farley afirma que avanço de marcas da China pode ameaçar a indústria e a segurança de dados no país (Foto: Ford | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 16/04/2026 às 09h00

O CEO da Ford, Jim Farley, já havia tecido vastos elogios a carros chineses, e até importou um Xiaomi SU7 para usá-lo no dia-a-dia. Agora, o executivo elevou o tom contra o avanço das fabricantes chinesas de veículos elétricos, classificando uma eventual entrada em massa dessas empresas no mercado dos Estados Unidos como “devastadora”. Em entrevista à Fox News, o executivo afirmou que a indústria automotiva norte-americana enfrenta uma “ameaça existencial” comparável ao choque das montadoras japonesas e coreanas em décadas passadas, mas com uma escala tecnológica superior.

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Farley argumentou que a competitividade das marcas chinesas é impulsionada por pesados subsídios governamentais, o que permite a prática de preços agressivos que marcas locais não conseguem acompanhar. Para o executivo, essa disparidade cria um cenário de concorrência desleal que coloca em risco não apenas os lucros das montadoras tradicionais de Detroit, mas a própria estrutura econômica da cadeia de suprimentos dos EUA.

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Um dos pontos centrais da preocupação de Farley é a utilização de países vizinhos como “porta dos fundos” para o mercado ianque. Embora tarifas de importação tentem blindar as fronteiras americanas, empresas como a BYD já articulam fábricas no México, enquanto a Stellantis cogita produzir modelos da Leapmotor no Canadá, beneficiando-se de acordos comerciais regionais para evitar as sobretaxas diretas.

Além do impacto financeiro, o CEO destacou vulnerabilidades em segurança nacional. Ele ressaltou que veículos elétricos modernos funcionam como dispositivos de coleta de dados sobre rodas. Com sensores e câmeras onipresentes, Farley questiona como as informações de cidadãos americanos seriam tratadas por empresas sob influência de Pequim, elevando o debate comercial a uma questão geopolítica de soberania.

Apesar das críticas, Farley reconheceu a excelência técnica da China no setor, admitindo que os americanos estão atrás em eficiência de custo e tecnologia de baterias. O alerta serve como pressão por políticas de proteção mais severas e incentivos para que a indústria local acelere sua transição energética sem ser sufocada pela ofensiva asiática que já redefine mercados na Europa e América Latina.

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