CEO da Volkswagen admite situação ‘mais do que crítica’ e prepara novos cortes
CEO Oliver Blume diz que situação é “mais do que crítica” e alerta para novos cortes enquanto VW enfrenta concorrência chinesa e baixa rentabilidade
Publicado em 25/08/2026 às 10h00
A Volkswagen se prepara para uma nova fase de reestruturação, diante da pressão da concorrência chinesa, da queda dos lucros na China e das tarifas de importação nos Estados Unidos. Em memorando interno visto pela Reuters, o CEO do Grupo Volkswagen, Oliver Blume, afirmou que “a situação é mais do que crítica” e defendeu cortes profundos de custos para recuperar a competitividade da empresa.
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Segundo Blume, os custos indiretos da Volkswagen permanecem mais de 30% acima dos registrados por empresas comparáveis. Ao mesmo tempo, a margem operacional do grupo está abaixo de 4%, nível considerado sólido diante das condições atuais, mas insuficiente para financiar de forma sustentável novos produtos, tecnologias e investimentos.
Um dos pontos que mais críticos, é a possibilidade de novos cortes de empregos. Foi apurado cerca de 50 mil vagas como uma referência para dimensionar o tamanho do ajuste necessário, mas Blume ressaltou que não se trata de uma meta fixa de demissões. A estimativa considera quantos postos seriam necessários para eliminar a diferença de custos em relação aos concorrentes caso não houvesse mudanças em outros fatores.
A Volkswagen já havia acordado a redução de cerca de 50 mil postos de trabalho na Alemanha até 2030, envolvendo Volkswagen, Audi, Porsche e CARIAD. Segundo o grupo, mais de 28 mil acordos de saída já haviam sido firmados até junho.
A reestruturação também envolve a simplificação da linha de produtos. O Grupo Volkswagen pretende reduzir em até 50% seu portfólio de modelos e em até 75% a complexidade das opções de configuração. A estratégia busca concentrar investimentos e desenvolvimento nos produtos com maior demanda, além de diminuir custos de produção e engenharia.
As fábricas alemãs também são citadas no corte. Emden, Hannover, Zwickau e Neckarsulm não devem atingir níveis competitivos de utilização da capacidade na década de 2030, segundo Blume. Apesar disso, o executivo afirmou que não há, neste momento, decisão sobre o fechamento de nenhuma dessas unidades.
A pressão ocorre em um momento de transformação da indústria automotiva, marcado pelo avanço das fabricantes chinesas no mercado europeu e pela necessidade de grandes investimentos em novas tecnologias. Para Blume, a Volkswagen precisa reduzir sua estrutura e tornar seus processos mais eficientes para continuar competitiva no longo prazo. O conselho de supervisão da empresa deve voltar a discutir a estratégia de reestruturação em 4 de setembro.
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