Em crise, Volkswagen pode vender cotas de participação no Bayern de Munique e outros times
Montadora avalia desfazer-se das fatias que Audi e Porsche mantêm em clubes alemães para reforçar o caixa em meio à reestruturação global
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 07/07/2026 às 20h00
A Volkswagen estuda vender participações acionárias em clubes de futebol alemães, entre eles o Bayern de Munique e o VfB Stuttgart, em uma revisão de investimentos que reflete a reestruturação do maior grupo automotivo da Europa. As conversas integram um plano que prevê o corte de até 100 mil postos de trabalho e o eventual fechamento de quatro fábricas na Alemanha, um dos maiores ajustes da história da companhia.
Segundo a Automotive News Europe, que cita a Bloomberg, o conglomerado analisa se o retorno publicitário desses investimentos ainda justifica a manutenção das ações. A informação foi revelada inicialmente pelo veículo alemão Correctiv. Procurada, a Volkswagen não quis comentar. O simples fato de essas participações estarem em análise indica até onde pode chegar a reestruturação.

Atualmente, a Audi detém 8,3% do Bayern de Munique, enquanto a Porsche possui 10,4% do Stuttgart. O desinvestimento, embora relevante do ponto de vista financeiro, teria peso sobretudo simbólico: por décadas, a ligação entre a indústria automobilística alemã e o futebol foi tratada como natural, com a Audi no Bayern, a Porsche no Stuttgart e a Volkswagen no Wolfsburg.
O Bayern é um dos clubes mais valiosos do mundo. De acordo com a consultoria Football Benchmark, tem valor de mercado estimado em cerca de 4,7 bilhões de euros. A Audi patrocina o time desde 2002 e comprou sua fatia em 2009, por aproximadamente 90 milhões de euros. Uma eventual saída, sobretudo do clube bávaro, poderia gerar um encaixe expressivo para o caixa da montadora, ainda que a decisão dependa de quanto o clube agrega em exposição de marca.
A lista de possíveis vendas não se restringe ao futebol. A marca também avalia desfazer-se de sua participação majoritária na Ducati, controlada por meio da Audi. Conhecida como a “Ferrari das duas rodas”, a fabricante italiana acumula recordes de produção, vendas e lucro sob gestão alemã, o que torna o eventual desinvestimento uma decisão puramente financeira.
Apesar do alcance da revisão, a companhia deve manter o controle do VfL Wolfsburg e a participação de 20% no FC Ingolstadt 04. A decisão sobre os clubes da Bundesliga ainda depende de estudos sobre o impacto financeiro e de imagem. Por ora, os movimentos indicam a dimensão do ajuste em curso no grupo, o segundo maior fabricante de automóveis do mundo, em que poucos ativos parecem fora do alcance do corte de custos.
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