Depois da fusão frustrada, Honda e Nissan chegam a um acordo bem mais modesto
Japonesas vão padronizar ECUs, sistema operacional e software de controle dos veículos definidos por software a partir do ano fiscal de 2029
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 01/09/2026 às 13h00
Honda e Nissan anunciaram nesta segunda-feira (31) um acordo para desenvolver em conjunto as centrais eletrônicas e o software dos seus carros a partir do ano fiscal de 2029. É uma fração do que as duas negociavam 20 meses atrás, quando discutiam uma fusão que criaria a terceira maior montadora do mundo.
A data ajuda a medir a distância entre os dois planos: pelo acordo assinado no fim de 2024, a holding conjunta das duas empresas deveria ter estreado na Bolsa de Tóquio justamente em agosto de 2026. Em vez disso, agosto de 2026 terminou com um contrato de padronização de peças eletrônicas.
A fusão que não saiu
Em 23 de dezembro de 2024, Honda e Nissan assinaram um memorando de entendimento para integrar os negócios sob uma empresa controladora comum. A operação foi avaliada em mais de US$ 60 bilhões e colocaria o grupo resultante atrás apenas de Toyota e Volkswagen em vendas globais. Um segundo memorando, assinado no mesmo dia, previa a entrada da Mitsubishi.
Durante as conversas, a Honda propôs mudar a estrutura: em vez da holding com diretoria dividida, ela seria a empresa-mãe e a Nissan viraria subsidiária por meio de troca de ações. A Nissan recusou, por entender que perderia autonomia. Na época, a Honda valia mais de cinco vezes o que valia a parceira em bolsa. Havia ainda a pressão para que a Nissan recomprasse a fatia da Renault e a recusa da Mitsubishi em ocupar o papel de terceiro sócio. Em 13 de fevereiro de 2025, as três encerraram as negociações.
O ano e meio seguinte foi de reestruturação na Nissan. Sob o comando de Ivan Espinosa, que assumiu em abril de 2025, a montadora executa o plano Re:Nissan, que reduz de 17 para 10 o número de fábricas e prevê o corte de 20 mil postos de trabalho até o ano fiscal de 2027. No exercício encerrado em março, a empresa registrou prejuízo líquido de 533,1 bilhões de ienes, o segundo ano seguido no vermelho, com vendas globais de 3,15 milhões de veículos, queda de 5,8%.
O que o acordo cobre agora
A parceria vai padronizar as centrais eletrônicas de controle, as ECUs, além do sistema operacional embarcado, partes do middleware e o software que comanda o veículo. Esse conjunto forma a arquitetura elétrica e eletrônica dos chamados SDVs, ou veículos definidos por software, em que as funções do carro são concentradas em poucos computadores capazes de receber atualizações remotas.
Na prática, é a mesma lógica do compartilhamento de plataformas: a base é comum, o produto não. Cada marca mantém a própria interface, os próprios recursos e o próprio desenho. As empresas ainda não informaram como dividirão as responsabilidades nem quais modelos estrearão a tecnologia.
A Mitsubishi pode voltar à mesa. Segundo a Reuters, a montadora afirmou que segue em discussões com Honda e Nissan sobre aderir ao acordo.
👍 Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.
|
|
|
|
X
|
|
|
Siga no
|
||||
Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:
Podcast - Ouviu na Rádio
|
AutoPapo Podcast
|
