Dois Boeing 737 ‘zero-km’ da Gol viram sucata por conta do excesso de defeitos

Quase novos, os jatos viraram os primeiros 737 MAX desmanchados de propósito e agora abastecem o mercado de peças usadas

Boeing 737 MAX da Gol Foto eTN Reprodução
Gol adquiriu os Boeing 737 MAX direto da fábrica, mas recebeu aeronaves com problemas frequentes (Foto: eTN | Divulgação)
Por Eduardo Passos
Publicado em 23/07/2026 às 15h00

Comprar um carro zero-quilômetro e ter que devolvê-lo poucos meses depois já seria frustrante. Agora imagine isso com dois aviões novinhos. Foi o que aconteceu com a Gol: a companhia aérea recebeu dois Boeing 737 MAX 8 praticamente novos, voou com eles por pouco tempo e acabou devolvendo as aeronaves — que agora devem virar sucata — por conta do excesso de problemas.

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Novos, mas cheios de problemas

Os dois jatos chegaram à Gol em 2025. O de matrícula PS-GRM voou pela primeira vez em julho e foi entregue em setembro; o PS-GRN estreou em outubro e foi entregue em novembro. Ou seja: eram aviões recém-saídos da fábrica, com meses de uso.

Segundo o BrasilAviation.info, as aeronaves logo apresentaram problemas crônicos de fábrica ligados aos motores CFM LEAP-1B e ao centro de gravidade. Por conta disso, os Boeing 737 foram tirados do transporte de passageiros em fevereiro desse ano e levados ao centro de manutenção da companhia, no aeroporto de Confins (Belo Horizonte).

Gol Centro de manutenção Boeing 737
Antes da devolução, Gol ainda levou os 737 MAX para manutenção prolongada em sua oficina (Foto: Gol | Divulgação)

As aeronaves ficaram cerca de sete semanas estacionadas em Belo Horizonte. Nesse período, segundo o AeroIn, constatou-se que ambos os veículos estavam com “performance abaixo do esperado”, necessitando mais consertos do que o normal, segundo pessoas próximas da questão.

O destino: desmanche no deserto

Como avião parado é prejuízo, a Gol desistiu de resolver os problemas dos dois 737 MAX e optou por se desfazer de ambos. Em vez de voltar a voar, os jatos foram levados para o Pinal Airpark, no Arizona (EUA) — um dos maiores “cemitérios de aviões” do mundo. Lá, eles serão desmontados e terão as peças revendidas.

O detalhe curioso é que, por serem quase novos, os jatos viraram material raro no mercado: segundo o site View from the Wing, eles aparecem como os primeiros 737 MAX a serem desmanchados de propósito, e o arrendador já anuncia os componentes como itens “primeira mão” de aeronaves pouco usadas. Reportagens brasileiras também mencionam que a Boeing estaria sendo alvo de ação judicial ligada aos defeitos, sem manifestação oficial da fabricante até agora.

Um modelo com passado turbulento

O problema da Gol é só mais um na série de polêmicas que envolve o Boeing 737 MAX desde sua estreia, em 2017. Lançado como uma versão mais econômica do modelo mais vendido da fabricante, o MAX se envolveu em duas tragédias: a queda do voo da Lion Air, em outubro de 2018, e a da Ethiopian Airlines, em março de 2019, que juntas mataram 346 pessoas.

As investigações apontaram o sistema automatizado MCAS, e o modelo ficou proibido de voar no mundo todo entre 2019 e o fim de 2020. Em janeiro de 2024, o avião voltou aos holofotes quando um painel de porta se soltou em pleno voo de um jato da Alaska Airlines, levando a mais investigações por falhas na linha de montagem da Boeing.

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