Enquanto rivais desistem do motor a combustão, a Toyota achou um jeito de lucrar bilhões com ele
Fabricante japonesa quer vender motores e sistemas híbridos a outras montadoras e triplicar a receita com isso, para R$ 9 bilhões por ano, até 2032
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 29/10/2026 às 16h00
Enquanto boa parte da indústria corta investimentos em motores a combustão, a Toyota decidiu transformá-los em uma nova fonte de receita.
A fabricante japonesa quer vender motores e sistemas híbridos a outras montadoras e faturar cerca de R$ 9 bilhões por ano com esse negócio até 2032, segundo a Automotive News. É o triplo dos cerca de R$ 3 bilhões que o fornecimento a terceiros deve render em 2026.
As primeiras entregas da nova geração de motores estão previstas para 2027.
Motores menores e mais econômicos
A nova família tem três opções, todas de quatro cilindros: um 1.5 aspirado, um 1.5 turbo e um 2.0 turbo, que também podem trabalhar com sistemas híbridos.
O 1.5 deve substituir os conjuntos usados hoje em modelos como Yaris e Corolla. O 1.5 turbo entrega a potência de um motor 2.5 aspirado atual, enquanto o 2.0 turbo promete superar o 2.4 turbo que equipa SUVs grandes e picapes da marca nos Estados Unidos.
Como foram desenvolvidos já pensando na eletrificação, os motores são 10% menores em volume e altura. Isso permite baixar o capô, o que melhora a aerodinâmica e dá mais liberdade aos designers.
Segundo a Toyota, o novo 1.5 deixa um sedã 12% mais econômico.
Parceiras são as candidatas
Os primeiros clientes devem ser velhos conhecidos: Mazda, Subaru e Suzuki, parceiras de longa data, além da Daihatsu, subsidiária da Toyota. Juntas, as cinco marcas vendem cerca de 16 milhões de veículos por ano.
Isso não significa que elas abandonem os próprios projetos. A Mazda desenvolve o motor Skyactiv-Z e um sistema híbrido para o CX-5, e a Subaru mantém a aposta nos motores boxer, de cilindros horizontais opostos.
Para a Toyota, a estratégia dilui os custos de desenvolvimento em mais unidades e deixa os motores mais competitivos diante da concorrência chinesa. As outras fabricantes, por sua vez, ganham acesso a mecânicas novas sem bancar todo o investimento para criá-las do zero.
Fora do pacote fica o motor V8 4.0 que a Toyota também desenvolve: por ora, ele não está nos planos de venda a outras marcas.
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