Erro de frentista destrói motor de Jeep Commander e posto terá de pagar R$ 154 mil
Frentista despejou o reagente no bocal do diesel de um Commander com 20 mil km; entenda como o erro provocou calço hidráulico e prejuízo recorde
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 19/08/2026 às 18h00
Um posto de combustíveis foi condenado pela Justiça de Mato Grosso do Sul a pagar R$ 154.893,20 ao dono de um Jeep Commander que teve o motor destruído depois que um frentista colocou Arla 32 no tanque de diesel do SUV. A sentença é da 2ª Vara Cível e Criminal de Camapuã, assinada pelo juiz Felipe Brigido Lage, e foi divulgada pelo site Campo Grande News.
Do total, R$ 139.893,20 correspondem a danos materiais e R$ 15 mil a danos morais. Uma seguradora responde solidariamente pela parcela material, com limite de R$ 50 mil previsto na apólice; o dano moral ficou exclusivamente com o posto.
O caso aconteceu em 10 de junho de 2023, quando o motorista viajava de Campo Grande a Ponta Porã e parou para completar o Arla 32 do Jeep Commander Limited TD380, de motor 2.0 turbodiesel com 170 cv e 38,7 kgfm. O SUV tinha cerca de 20 mil quilômetros e ainda estava na garantia.
Motor ligado e bocal errado
Segundo o processo, o motorista estacionou próximo à bomba do reagente e se afastou por alguns instantes para buscar água, deixando o motor em funcionamento para que a família permanecesse no carro com o ar-condicionado ligado. Foi nesse intervalo que o frentista despejou o Arla 32 no bocal do tanque de diesel.
O autor da ação relatou que o SUV desligou sozinho pouco depois e passou a acusar impureza no sistema de combustível. Ainda segundo o relato, o funcionário não avisou de imediato sobre a troca dos bocais e sugeriu completar o tanque com diesel para diluir o produto.
Levado à concessionária, o Jeep teve danos de grande proporção confirmados no motor. A perícia do processo concluiu que a entrada do Arla 32 no sistema de alimentação provocou calço hidráulico. O laudo apontou duas falhas no atendimento: o abastecimento com o motor ligado e, como causa determinante, o uso do bocal do diesel para o reagente.
O Arla 32 não é combustível e tem reservatório próprio. É uma solução de ureia usada no escapamento de veículos a diesel mais recentes para reduzir a emissão de óxidos de nitrogênio, exigência do Proconve. Como atua no pós-tratamento dos gases, não pode ser misturado ao diesel.
Reparo consumiu R$ 125 mil
A maior fatia da condenação corresponde ao conserto: R$ 125 mil pagos à concessionária. Somam-se R$ 5.040 de aluguel de outro veículo e R$ 9.853,20 da produção antecipada da prova pericial.
Ao analisar as provas, o juiz reconheceu falha na prestação do serviço e afastou a responsabilidade do motorista. Segundo a sentença, o abastecimento do reagente no bocal do tanque de combustível causou “graves problemas mecânicos no motor do veículo do requerente, com danos de grande monta”.
Para fixar o dano moral, a decisão levou em conta que o consumidor ficou mais de seis meses sem usar o carro, não recebeu assistência suficiente do posto e precisou recorrer à Justiça duas vezes: primeiro para produzir a perícia antecipada e depois para pedir a indenização.
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