Faixa Azul avança no DF, mas segurança da medida ainda divide especialistas

Projeto aprovado pela Câmara Legislativa prevê diretrizes para implantação de corredor preferencial para motos inspirado no modelo de São Paulo

faixa azul
Regra de transito também caminha para validação em âmbito nacional (Foto: Prefeitura de São Paulo | Divulgação)
Por Lucas Silvério
Com Câmara Legislativa do Distrito Federal
Publicado em 20/05/2026 às 16h31

A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou nesta terça-feira (19) o Projeto de Lei nº 2.685/2022, que cria diretrizes para a implantação da chamada “Faixa Azul” nas vias do DF. A proposta prevê espaços exclusivos ou preferenciais para motocicletas, motonetas e ciclomotores, com foco na melhoria da segurança viária e na organização do trânsito.

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De autoria do deputado distrital Fábio Felix, o texto não obriga a implementação imediata da medida, mas estabelece parâmetros para que o Governo do Distrito Federal possa adotar a sinalização de forma técnica e planejada.

Entre as diretrizes previstas estão a priorização de vias com maior número de acidentes envolvendo motos, o planejamento de esquemas especiais de circulação em corredores congestionados e até o uso temporário de faixas exclusivas de ônibus enquanto não houver espaço definitivo para motociclistas.

Segundo o parlamentar, o projeto foi desenvolvido com base em estudos de mobilidade urbana e em experiências já adotadas em cidades como São Paulo, onde a Faixa Azul já opera em diversas avenidas.

Com a tramitação concluída na Câmara Legislativa, a proposta segue agora para sanção da governadora Celina Leão.

Projeto nacional também avança na Câmara

O movimento do Distrito Federal acompanha uma tendência nacional. Em Brasília, a Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou recentemente o Projeto de Lei 1656/25, que prevê a implantação de faixas preferenciais para motocicletas em capitais brasileiras, no DF e em rodovias federais e estaduais.

O relator da proposta, deputado Flávio Nogueira, retirou do texto a obrigatoriedade para municípios menores, concentrando a aplicação em regiões com grande fluxo de motos.

O modelo proposto também segue o padrão já utilizado em São Paulo: a faixa preferencial fica localizada entre a pista da extrema esquerda e a faixa ao lado, organizando o espaço onde motociclistas tradicionalmente trafegam entre os carros.

Apesar do nome, a Faixa Azul não é exclusiva para motos, mas preferencial. A proposta também prevê sinalização horizontal e vertical específica para alertar motoristas durante as trocas de faixa.

O projeto agora será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Caso aprovado sem alterações, seguirá diretamente ao Senado.

Estudos divergem sobre segurança da Faixa Azul

Mesmo com o avanço político da proposta, os impactos reais da Faixa Azul ainda dividem especialistas e pesquisadores.

Dados divulgados pela Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo apontam melhora nos índices de segurança após a implantação da sinalização. Segundo relatório da CET-SP, a severidade dos acidentes envolvendo motociclistas caiu 26,6% nos trechos analisados entre 2022 e 2025.

O estudo avaliou mais de 233 quilômetros de Faixa Azul implantados em 36 vias da capital paulista. Ainda segundo o órgão, os acidentes fora da faixa apresentaram gravidade 9,5 vezes maior do que dentro da sinalização.

A CET também afirma que houve redução da velocidade média dos motociclistas e queda nos índices de desrespeito aos limites de velocidade em regiões monitoradas por radares.

Por outro lado, pesquisadores da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal do Ceará e do Instituto Cordial chegaram a conclusões diferentes.

O levantamento apontou aumento entre 100% e 120% nos acidentes fatais envolvendo motociclistas em cruzamentos localizados em vias com Faixa Azul. O estudo também indicou crescimento da velocidade média das motos nos trechos analisados.

A principal diferença entre os trabalhos está na metodologia utilizada. Enquanto a CET comparou os resultados das mesmas vias antes e depois da implantação, os pesquisadores universitários utilizaram avenidas semelhantes como base de comparação.

Mesmo com a divergência, o avanço dos projetos mostra que a Faixa Azul segue ganhando espaço no debate sobre mobilidade urbana e segurança para motociclistas no Brasil.

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1 Comentário
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Jicxjo 20 de maio de 2026

O gozado é que ninguém fala do elefante azul no meio da sala: leis estaduais ou municipais sobre o assunto são FLAGRANTEMENTE INCONSTITUCIONAIS. Apenas a União pode legislar sobre a matéria, assunto já pacificado no STF. Mas no Brasil qualquer um pisoteia a Constituição impunemente.

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