Motociclistas paulistanos sofreram mais acidentes fatais nos últimos anos; governo quer lei nacional de implementação da pista exclusiva
A Faixa Azul começou a ser implantada em algumas cidades brasileiras com o intuito de garantir mais segurança ao motociclista, além de organizar o trânsito. Porém, pesquisas de comprovação de efetividade e até os próprios condutores têm divergido opiniões sobre a pista exclusiva.
Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET-SP), a severidade dos acidentes na capital paulista caiu, mas uma Pesquisa da USP, Universidade Federal do Ceará (UFC) e Instituto Cordial, aponta que os índices de fatalidade mais do que dobraram na cidade.
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O estudo conduzido pelo CET-SP foi o 2º Relatório Consolidado da Faixa Azul, divulgado pela prefeitura de São Paulo no fim do mês de abril. Este declarou que a média da taxa de severidade dos sinistros com motos nos locais avaliados, na comparação entre o antes e o pós-implantação, reduziu em 26,6%.
Segundo o estudo, 233,3 km de Faixa Azul implantados em 36 vias (46 trechos) foram analisados entre janeiro de 2022 e dezembro de 2025. Pesos diferentes foram considerados para sinistros com feridos e mortes, e toda a pesquisa relacionou os dados analisados ao volume de veículos, ao período e à extensão do trecho. A conclusão foi de que a incidência e a gravidade dos sinistros fora da Faixa Azul é 9,5 vezes maior do que dentro da sinalização.
Os dados do CTE-SP ainda apontaram redução da velocidade média dos motociclistas após a implantação da Faixa Azul.
Pelos dados, a implantação da sinalização reduziu, em média, 5,5% da velocidade pontual das motocicletas, passando de 54 km/h para 51,1 km/h, além de queda de 4,3% na velocidade operacional, indicador usado para avaliar o padrão predominante de circulação nas vias. Nos pontos próximos a radares, o índice de desrespeito ao limite regulamentado passou de 44,2% para 27,6%.
Antes do estudo da CET-SP, em janeiro, uma pesquisa da USP, Universidade Federal do Ceará (UFC) e Instituto Cordial, com apoio técnico da Vital Strategies, apontou que a Faixa Azul para motociclistas não tornou o trânsito mais seguro, mas aumentou o índice de fatalidades em situações específicas.
Dentre os principais resultados dos cientistas, dois se destacaram:
Nesta pesquisa, os cientistas compararam avenidas com Faixa Azul a outras semelhantes sem a sinalização. Entre os critérios analisados estavam número de pistas, volume de tráfego e características viárias. A Avenida 23 de Maio, por exemplo, foi comparada à Radial Leste.
Segundo os autores, os resultados mostraram que a Faixa Azul não apresentou melhora significativa nos indicadores de segurança em diversos cenários. Em alguns casos, os dados apontaram piora após a implantação da sinalização.
O estudo separou ocorrências registradas no meio das quadras e acidentes próximos aos cruzamentos, em um raio de até 10 metros. Foi justamente nesses locais que os números mais preocupantes apareceram.
Para os dados obtidos, os acidentes fatais envolvendo motociclistas mais do que dobram em cruzamentos localizados em vias com Faixa Azul, tendo aumento entre 100% e 120%.
Nesta avaliação, o aumento da velocidade entre um cruzamento e outro faz com que os motociclistas cheguem a esses pontos críticos em condições de maior risco.
A velocidade dos condutores foi medida por meio de imagens captadas por drones. Em avenidas com limite de 50 km/h e presença da Faixa Azul, 96% dos motociclistas trafegavam acima da velocidade permitida. Em vias sem a sinalização, o percentual também foi elevado, mas menor: 71%.
A pesquisa das universidades apontou ainda que 475 motociclistas morreram no trânsito da capital em 2025, número quase 15% maior do que o registrado em 2022, ano em que a Faixa Azul começou a ser implantada. Na comparação com 2024, houve uma leve queda de pouco mais de 1%. O menor número de mortes foi registrado em 2023, quando 402 motociclistas perderam a vida no trânsito paulistano.

As pesquisas se divergem no ponto da velocidade média e em suas conclusões. A motivação desta talvez seja o método de análise entre cada uma.
O CTE-SP considerou seus resultados comparando dados das vias que receberam a Faixa Azul de motociclista com as mesmas, quando ainda não contavam com a pista. Já a USP verificou os novos trajetos em comparação a outras avenidas similares que não contêm a pista exclusiva.
Em nota, a CET-SP ainda afirmou que o “relatório também responde a uma das principais críticas ao projeto: a hipótese de que a Faixa Azul estimularia o aumento da velocidade das motos. Os dados da CET indicam o contrário.”
Os pesquisadores das universidades afirmam no documento que “avaliar o impacto de uma intervenção de segurança viária exige mais do que comparar números ‘antes e depois’ da sua implementação. Para estimar corretamente o efeito de uma medida, é necessário saber o que teria ocorrido se a intervenção não tivesse sido aplicada. Essa previsão, o chamado contrafactual, é a base de qualquer avaliação de impacto. Quanto mais robusta for a metodologia empregada para estimar esse contrafactual, mais confiáveis serão as conclusões sobre o impacto da medida.”
A pesquisa de resultado negativo parece não ter convencido a Câmara dos Deputados, uma vez que o projeto de nacionalização das faixas preferenciais avança.
Como justificativa, o relator do projeto, deputado Flávio Nogueira, destacou que a medida traz segurança e eficiência para o trânsito.
“A faixa azul demarcada exclusivamente para motocicletas organiza o tráfego, aumenta a segurança e reduz acidentes”. Nogueira disse se basear em modelos como o da cidade de São Paulo.
O projeto da Faixa Azul Nacional segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) em caráter conclusivo. Caso aprovada sem ressalvas, a proposta não precisará passar pelo plenário da Câmara, seguindo diretamente para o Senado antes de virar lei.
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Segurança no trânsito é resultado de educação de quem lá está. A faixa azul geralmente espreme as faixas de veículos deixando fora do padrão de segurança de quando foram criadas. Aí o risco de uma moto colidir com um veículo que está na faixa dele é aumentada quando uma está ultrapassando outra. Apesar de se tornar um corredor específico para as motos, se não respeitar o limite da via vira uma confusão de motos saindo para todo lado. Existe também a necessidade de um veículo ter que mudar de faixa, seja para ultrapassar outro, seja para se dirigir a uma saída da via. Tudo isso potencializado por quem não respeita o limite de velocidade E não respeita o distanciamento entre um veículo e o outro. Talvez , se houvesse espaço ou em projetos futuros, duas faixas para moto uma ao lado da outra e pistas para veículos com largura decente, como éra antes.
Modesta opinião de quem está no trânsito de São Paulo todos os dias: a faixa azul é interessante quando existe espaço, traz um pouco de organização e disciplina, o problema é a limitação mental e a irresponsabilidade dos condutores, seja motocicleta ou automóvel ou qualquer outro..
Os motociclistas querem andar nesta faixa a toda velocidade, e literalmente empurram outras motos que não estejam no mesmo ritmo. Não estou generalizando, mas os poucos motociclistas conscientes servem de álibi para uma parcela muito maior de verdadeiros malucos que desligam o cérebro assim que ligam a moto, e se acham donos da rua e agora donos da faixa azul também. Quanto a fatalidades em cruzamento, eles não respeitam nem farol vermelho, o que dirá de cruzamento sem semáforo.
Não resolve nada se não começar a multar pesadamente os maníacos em dias rodas. Poucos sabem o que estão fazendo, mas a maioria acha que estamos no velho oeste até que encontrem alguém que também acha a mesma coisa. Fiscalização pesada e motos recolhidas para desmanchar resolve parte do problema. Só aprendem quando dói no bolso. Depois ficam chorando na internet que a policia atrasa i “trabaiador.”… Pilotei moto muitos anos e as pessoas tinham respeito, hoje os próprios motoqueiros acabaram com a sua reputação
Sou motoboy. Rodei 300.000km nos últimos 5 anos em Belo Horizonte, sem sofrer nenhum acidente. Pessoas que não pilotam moto, vão decidir por mim se deve haver faixa azul ou não. Na minha opinião não funciona. O corredor existe naturalmente. A faixa azul vai tornar os maus pilotos ainda mais apressados. E onde não tem faixa azul, os motoristas de carro vão fechar ainda mais a pista. A velocidade média no corredor vai aumentar por uma sensação falsa de segurança. Não é solução, é só falácia populista. Não aumenta a segurança da condução em duas rodas. Mas o prefeito de BH acha que trocar a cor das placas das motos de trabalho é eficaz, então ele acredita em qualquer coisa. Parece piada, ser ”representado” por quem não pilota moto.
É muito claro todo o problema relacionado às motos: os motociclistas, em quase sua totalidade não respeitam NENHUMA lei de trânsito. Estava na hora de apertar a fiscalização.
Mas se mais de 90% não respeitam a velocidade máxima, em vez de estudo porque não exigir a punição prevista?
Estiver em Sao Paulo e foi difícil a Washington Luiz por exemplo.
Se tentar sair da faixa 1 para a faixa 2, cruzamos a faixa de motos. Maa as motos estão muito acima dos 50 km/h e buzinam, reclamam e até praticam vandalismo nos veículos que tentam mudar de faixa.
Além de tbem andarem fora da faixa preferencial.
Com tantas câmeras, multas elevadas devem ser emitida contra qualquer motociclista que:
Danificar veículos (motociclista deve ser obrigado a pagar pelos danos.
Andar na conta mão
Ultrapassar sinal vermelho
Excesso de velocidade
Ultrapassar pela direita
Etc etc etc