Ferrari 12Cilindri ganha versão com câmbio “sabor manual” depois de 14 anos
Marca italiana estreia o sistema "Manuale by Wire", que recria o pedal de embreagem e a alavanca em H sem uma caixa manual de verdade
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 06/07/2026 às 14h00
Poucas semanas após apresentar a Luce, seu primeiro carro elétrico, a Ferrari revelou a nova 12Cilindri Manuale, uma edição especial que resgata a experiência de um câmbio manual, ainda que sem lançar mão de uma transmissão convencional desse tipo. É a aposta da montadora italiana na nostalgia dos puristas logo depois da recepção morna ao seu primeiro modelo a bateria.
A 12Cilindri Manuale mantém a caixa automática de dupla embreagem e oito marchas do 12Cilindri, mas ganha um pedal de embreagem e uma alavanca com o clássico padrão em “H”. Batizado de Manuale by Wire, o sistema interpreta eletronicamente os comandos do motorista, sem qualquer ligação mecânica entre a alavanca e a transmissão.

Ao pressionar o pedal de embreagem, o motorista aciona o modo manual, que utiliza as seis primeiras marchas da transmissão. A marcha à ré integra o padrão em “H”, enquanto a sétima e a oitava permanecem acessíveis apenas no modo automático — retomado por um botão no console, útil em estrada. Não há borboletas atrás do volante: é a primeira Ferrari de dupla embreagem sem os paddles.
Segundo a Ferrari, o objetivo foi reproduzir a sensação dos antigos modelos manuais da marca, em especial a do 599 GTB Fiorano, última Ferrari com motor V12 e câmbio manual, descontinuada em 2012. O sistema também simula a resistência das trocas e o tradicional som metálico da alavanca deslizando pelas guias.

O pedal de embreagem conta com sensores que reproduzem o funcionamento de um sistema convencional, permitindo até que o motor “morra” caso o motorista solte a embreagem de forma incorreta. A Ferrari afirma que arrancadas bem executadas entregam desempenho praticamente idêntico ao do modelo automático, ao passo que erros nas trocas comprometem a aceleração — o que, segundo a marca, torna a condução mais envolvente.
A mecânica não muda: o V12 6.5 litros aspirado rende cerca de 830 cv, gira até 9.500 rpm e entrega em torno de 69 kgfm de torque. Ainda assim, a Ferrari afirma que o acerto de fábrica preserva o desempenho: a arrancada de 0 a 100 km/h leva 2,9 segundos e a velocidade máxima supera os 340 km/h.

Segundo a marca, o conjunto acrescenta cerca de 5 kg ao peso do carro — o módulo usinado em blocos maciços pesa menos de 3,5 kg — e foi desenvolvido em resposta a clientes que há anos pediam o retorno de uma Ferrari com sensação de câmbio manual. A produção será limitada a 1.499 unidades, todas feitas sob o programa de personalização Tailor Made, com preço inicial de cerca de R$ 3,49 milhões (590 mil euros) antes de impostos e taxas — um prêmio de 190 mil euros sobre a versão automática. As entregas estão previstas para o início de 2027.




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