Ford convoca recall de 1,4 milhão de picapes F-150 por falha grave na transmissão

Defeito em sensor provoca reduções súbitas de marcha e amplia crise de qualidade da marca, que já acumula quase 10 milhões de veículos convocados em 2026

Ford F 150
A degradação de conexões elétricas por calor e vibração é a causa raiz da falha técnica na F-150 (Foto: Ford | Divulgação)
Por Tom Schuenk
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 22/04/2026 às 21h00

A Ford oficializou a convocação de aproximadamente 1,4 milhão de picapes F-150 nos Estados Unidos para um recall massivo. O anúncio ocorre em um momento de pressão crítica para a montadora, consolidando 2026 como o ano com o maior volume de convocações em sua história, superando os índices negativos registrados em 2025.

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Falha técnica na transmissão 6R80

O defeito foi detectado após uma investigação de um ano conduzida pela NHTSA, órgão responsável pela segurança viária nos EUA. O problema atinge unidades fabricadas entre 2015 e 2017 equipadas com a transmissão 6R80. De acordo com o relatório técnico, a degradação de conexões elétricas por calor e vibração interrompe a comunicação entre o sensor de velocidade da transmissão e o módulo de controle do trem de força.

Na prática, a falha provoca reduções súbitas e involuntárias para a segunda marcha, independentemente da velocidade ou do comando do motorista. O risco de acidentes é elevado, com ao menos uma colisão e dois feridos já reportados. A solução proposta pela fabricante consiste em uma atualização de software para garantir que o veículo não force a redução em caso de perda de sinal do sensor.

Crise de qualidade e impacto financeiro

O cenário para a Ford é alarmante: apenas no primeiro quadrimestre de 2026, a marca já recolheu quase 10 milhões de veículos. Até março, o volume de recalls da empresa era três vezes superior ao de seus principais concorrentes. A reincidência resultou em uma multa de US$ 165 milhões (cerca de R$ 833,2 milhões) aplicada pela NHTSA, além da imposição de um monitoramento independente de seus processos.

Os custos com garantias, que ultrapassam US$ 4 bilhões (R$ 20,2 bilhões) anuais, comprometem as margens de lucro necessárias para a transição energética. O CEO Jim Farley classificou os episódios como “feridas autoinfligidas”.

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