Ford copia truque da Tesla e troca 146 peças por duas para baratear picape elétrica

Peças gigantes de alumínio fundidas a 700 °C passam até por raio-X antes de ir para a fábrica; Ford Fathom custará o equivalente a R$ 151 mil nos EUA

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Peça fundida da Ford Fathom passa por scanner óptico; duas dessas substituem 146 componentes (Foto: Ford | Divulgação)
Por João Paulo Profeta
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 29/10/2026 às 12h00

A Ford foi buscar na Tesla a receita para fazer uma picape elétrica barata: em vez de montar a carroceria com dezenas de pedaços de chapa soldados, a marca vai fundir a dianteira e a traseira em duas peças gigantes de alumínio.

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O processo, que a Ford chama de unicasting, será usado na Fathom, picape elétrica de porte médio que chega ao mercado americano no ano que vem por US$ 28.350 (cerca de R$ 151 mil). Segundo a fabricante, as duas peças substituem 146 componentes da estrutura da Maverick, picape também vendida no Brasil.

A técnica é a mesma que a Tesla chama de gigacasting e usa desde 2020 no Model Y.

Como nasce uma peça gigante

Numa carroceria tradicional, cada parte da estrutura é prensada a partir de chapas de metal e soldada às outras por robôs. Na fundição, o metal líquido é injetado em um molde e sai dele como peça única — o princípio lembra o de uma forma de gelo, só que em escala industrial.

A Ford já produziu mais de 5 mil dessas peças, o suficiente para 2.500 picapes, no Centro Técnico de Shelbyville, no Kentucky. Por enquanto, elas são usadas em protótipos.

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Peça fundida da Ford Fathom passa por inspeção visual em Shelbyville antes do raio-X e do scanner (Foto: Ford | Divulgação)

Tudo começa com lingotes de alumínio derretidos a cerca de 700 °C. Depois de injetada no molde, a peça é retirada por um robô, resfriada em um tanque, aparada e usinada.

Só então começa a bateria de testes. Em uma sala climatizada, uma máquina confere medidas e a posição dos furos. Um raio-X industrial procura bolhas e vazios no interior do alumínio, e um scanner óptico mapeia a superfície.

Amostras de cada lote ainda passam por testes de resistência e de composição química. O lote só segue para a fábrica de Louisville, também no Kentucky, depois de aprovado.

A “árvore” que substitui a esteira

As peças gigantes também permitem à Ford mexer numa invenção do próprio fundador. Em 1913, Henry Ford criou a linha de montagem móvel para produzir o Modelo T, o Ford Bigode: o carro percorre uma única esteira e recebe as peças pelo caminho.

Na Fathom, a esteira dá lugar ao que a marca chama de “árvore de montagem”. Três linhas montam ao mesmo tempo a dianteira, a traseira e a bateria, que funciona como assoalho e já recebe bancos, console e carpete. Os três blocos só se juntam no fim.

Segundo a Ford, o método pode deixar a montagem até 40% mais rápida. Parte do tempo economizado será reinvestida em automação, e o ganho final deve ficar em 15%.

A produção, confirmada apenas nos Estados Unidos, deve começar no primeiro trimestre do ano que vem.

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