Ford nega, mas jornal revela conversas sobre parcerias com BYD e Xiaomi

Segundo o Financial Times, montadora americana sondou chinesas para parcerias visando compensar lacuna tecnológica; Washington reage com preocupação

xiaomi su7 ultra prototype
O CEO da Ford, Jim Farley, é fã dos elétricos chineses e importou um Xiaomi SU7 para uso pessoal (Foto: Xiaomi | Divulgação )
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 04/02/2026 às 08h00

A indústria automotiva norte-americana foi sacudida nesta semana por revelações de bastidores envolvendo montadoras asiáticas. Segundo apuração do jornal britânico Financial Times, a Ford manteve conversas preliminares com as gigantes chinesas Xiaomi e BYD. A pauta das reuniões envolvia uma possível parceria estratégica para a produção de veículos elétricos dentro dos Estados Unidos, em uma manobra que ajudaria a Ford a suprir sua lacuna tecnológica e de custos.

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Embora as negociações tenham sido descritas como iniciais, a simples possibilidade de uma joint ventura — nos moldes do que a Ford tentou fazer com a fabricante de baterias CATL — gerou reação imediata em Washington (DC).

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Negativa oficial e a contradição do CEO

Publicamente, a resposta foi contundente. A Ford classificou a reportagem como “completamente falsa”, negando qualquer plano de trazer marcas chinesas para suas linhas de montagem. A Xiaomi reforçou o coro, afirmando que não possui planos de entrar no mercado americano, enquanto a BYD optou pelo silêncio. Contudo, o contexto joga contra a negativa: o próprio CEO da Ford, Jim Farley, já admitiu ter importado um Xiaomi SU7 para uso pessoal, elogiando publicamente a engenharia do rival, a quem chama de “ameaça existencial”.

A vulnerabilidade da Ford é real. A montadora descontinuou modelos de volume como o Escape e o Edge e enfrenta um hiato de produtos até 2027, momento em que seus novos elétricos de baixo custo deveriam chegar. Uma parceria com os chineses seria um atalho tentador para preencher essa lacuna.

Tensão política em Washington

O rumor reacendeu o debate sobre segurança nacional. John Moolenaar, republicano que preside o comitê sobre a China na Câmara, alertou que tal acordo aprofundaria a dependência dos EUA em relação a Pequim, criando um “efeito dominó” no setor. O cenário é complexo: embora existam tarifas de 100% sobre importados da China, o presidente Donald Trump sinalizou recentemente estar aberto a fábricas chinesas em solo americano, desde que gerem empregos locais — uma brecha que a Ford poderia estar tentando explorar.

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