Novo compacto da Fiat se chamará Argo mais uma vez e especialistas em marketing explicam a decisão da marca italiana
O Fiat Grande Panda se chamará Argo. Está mais que decidido, mesmo que muita gente discorde, até mesmo dentro dos corredores da Stellantis. O CEO da marca para Europa François Olivier foi quem atravessou a surpresa há cerca de duas semanas.
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O spoiler gerou reações, muita gente apostava que o carro poderia se chamar Panda ou até mesmo Uno. Mas ao que tudo indica é Argo e fim de papo. A celeuma se deu em função da proposta ousada do projeto. Na Europa, o Grande Panda marcou a chegada de uma nova família de produtos, com design cubista.
Por aqui a mesma proposta será aplicada e dará vida às futuras gerações de Fastback e Toro (ou Strada), assim como outros dois modelos. Mas para o público europeu Grande Panda é uma continuação de um carro que está em linha há mais de 40 anos. Hoje, o modelo convive com a geração passada, chamada apenas de Panda.
E como o design é uma releitura futurista da geração original, surgiu então uma expectativa em torno do nome, uma vez que a forma difere muito do Argo que conhecemos. Mas escolher um nome é tão difícil?

Apesar de a lógica ser simples, há uma delicada equação quando se escolhe o nome de um carro. O batismo pode agregar ou retirar valor. No caso do Argo, a Fiat apostou no seguro e consolidado. Ela não quer fazer um grande esforço para construir o nome Grande Panda, que não significa nada para o público brasileiro, ou um outro nome inédito. E ela também não quer descer um degrau batizando o carro com um nome de carro popular do passado, que é o caso de Uno, como muitos apostam.
Nos corredores da Fiat, a “atravessada” do francês não agradou os executivos, que tentam desconversar sobre o assunto. No entanto, alguns comentam (sem confirmar) que Argo é um nome consolidado e forte no mercado brasileiro. Um carro que chegou em 2017 para marcar uma profunda mudança na estratégia da Fiat, da mesma forma que Panda, no Velho Mundo. “A mudança de nome poderia implicar em desvalorização do Argo atual, que é um carro que tem um giro muito alto em locadoras. Além disso, é um sucesso de vendas”, balbuciou uma de nossas fontes, sem ratificar, ou não, o spoiler de monsieur Olivier.
E faz todo sentido, o Argo licenciou 102 mil unidades em 2025 e foi o terceiro modelo mais vendido do Brasil, atrás apenas da irmã Strada e do Volkswagen Polo. Desse total, cerca de 70% das vendas se concentraram na modalidade de venda direta. Ou seja, frotistas e locadoras compraram o hatch aos montes e não querem perder dinheiro com uma desvalorização acentuada devido à morte do nome. Se isso acontecer, amanhã eles vão comprar modelos da concorrência com menor índice de desvalorização e a Fiat amargará uma queda gigantesca de volume.

Para entender melhor sobre a importância do batismo de um carro novo, conversamos com dois especialistas em marketing que conhecem a fundo as entranhas da marca italiana instalada em Betim (MG) há 50 anos. Murilo Moreno, consultor da Sequoia Estratégia e Marketing, tem larga experiência na indústria automotiva, o “pai” dos “pôneis malditos” já passou pela Fiat e entende muito bem como é a escolha de um nome para carro novo.
Questionado se manter um nome atual, resgatar um nome clássico, ou apostar em um nome novo, o especialista explica de forma didática. “Quando se planeja um novo carro há dois fatores: o que a marca precisa e o que o mercado espera. Quando o Argo substituiu o Palio, a marca precisou dizer que se tratava de outro carro, que estava em um patamar acima. Naquele momento ela começou a contar uma nova história. Agora ela quer dar continuidade na história sobre um produto forte”, explica.
Moreno também pontua o lado do cliente. “Por outro lado, eu como cliente, tenho uma expectativa que o carro será uma continuação para, talvez, não desvalorizar o carro que está saindo de linha, ou porque a minha ligação com aquele carro é muito forte”, pontua, seguindo a mesma lógica de nossa fonte da Stellantis, uma vez que o cliente é ao mesmo tempo a pessoa física ou uma grande empresa que compra milhares de unidades por ano.
Questionado se o Argo não poderia chamar Panda, Moreno é enfático. “O que é Panda? Panda é um nome forte na Europa, mas não significa nada para o consumidor brasileiro. Seria necessário um esforço muito grande para para construir a mensagem do Panda. E com o Argo, a mensagem está consolidada, não faz sentido”, aponta.

E por que não Uno? Levamos esta pergunta para Adriano Resende, que foi head de brand da Fiat, hoje é diretor de marketing e estratégias do Grupo Suport. “Não faz o menor sentido resgatar o nome Uno, que ficou no passado. Em 2009 fazia todo sentido, pois o Uno era um carro que vendia muito e a segunda geração chegou fazendo um grande estrondo. Um dos nomes cotados seria Boxer, mas naquele momento fazia sentido dar continuidade com a história e usar Uno, mas hoje não. Hoje o Argo é esse carro de sucesso, o carro moderno e manter seu nome só reforça a trajetória”, explica Resende que esteve presente tanto no lançamento da segunda geração do Uno como na chegada do Argo.

Ou seja, se a Fiat vai mudar o nome do novo Argo aos 45 do segundo tempo, só saberemos no dia do lançamento, mas a julgar pelo que executivos atuais e especialistas de marketing apontam, é Argo e ponto final.
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Na Europa foi mantida a tradição de um ícone da marca, preservando o nome Panda. Tem até um vídeo que faz alusão à música Fantastic, com o uso da expressão Pandastic. Com o nome Argo já ficou difícil fazer tal alusão (Arghastic!?).
Piada infame à parte, fato é que o design futurista remete imediatamente a uma evolução do Uno precursor, desenhado por Giugiaro. Talvez o Argo tenha mais valor para a Stellantis, mas a tradição do nome Uno no Brasil é correlata à do Panda na Europa, o que tornaria a escolha mais lógica para quem viveu a era gloriosa do Uno. Uno é o Highlander, é imortal. Já o Argo…
Pelo estilo, acho que vai vender bem independente do nome. O sujeito vai na revenda Fiat procurar um Argo. Se o vendedor mostrar o novo modelo, possivelmente o cliente vai se interessar pela novidade e vai comprar. É mais fácil a Fiat mudar o nome do atual Argo e deixar apenas como uma versão de entrada e o novo modelo passa a se chamar novo Argo, new Argo, etc. O brasileiro se guia mais pelo visual do carro, o nome não tem muita importância não.
Espero que esse meio-anúncio não passe de uma mera jogada pra não revelar o nome verdadeiro, e divulgá-lo apenas no lançamento oficial aqui no Brasil.
Não faz nenhum sentido o nome Argo para um carro que tem uma proposta, plataforma e preço totalmente diferente do atual Argo. Essa é uma péssima ideia que até agora me recuso a acreditar
A STELLANTIS está vacilante em ADMINISTRAR suas MARCAS. Então, resolveu afrontar a praticidade do mercado conquistado e invés de dar protagonismo a FIAT, o melhor carro UNO 1 3 1989 pequeno médio tive um mais de 20.anos . Fugia da assistência, que a FIAT nunca teve no BRASIL, com exceções como BETIOLO, e SINOSCAR se assumisse como.VW e GM . Mas, a STELLANTIS colocou a JEEP como CARRO CHEFE com prerrogativas e lançou o pior de seus CARRO DE ENTRADA O JEEP RENEGATTE, tem assistência técnica e até PEÇAS ORIGINAIS MOPAR que PLAGIOU DA DODGE CHRIS LER dos EUA, exemplo em assistência técnica. Mas,o GRUPO STELLANTIS as colocar ARGO e NÃO UNO no NOVO FIAT vai SEPULTAR A MELHOR MARCA no BRASIL e o GRUPO que AGONIZA. É melhor, então fazer como a FORD pegar o BONÉ e sair…
Se foi um francês que escolheu o nome, a possibilidade de dar errado aqui é grande. Tudo que francês toca a mão no brasil não vai para frente. Vamos torcer para que de certo!
Esse carro não vai pegar aqui no Brasil. Eu acredito que o gosto do brasileiro não é esse, a Fiat deveria repensar essa decisão.
Acho que a pronúncia do no⁹me Argo não é legal, mas não gosto do nome Panda.
Eita povo que não tem o que fazer e gosta de reclamar.
A Fiat tinha o hábito de trocar o nome dos carros quando mudava de geração e reclamavam…
Tipo > Brava > Stilo > Bravo
Palio/Punto > Argo
Quando manteve o nome Uno para o Novo Uno, reclamaram porque consideravam o Novo Uno como Nutella…
Agora, ao manter o nome Argo, reclamam?
Ah, vai ver se estou na esquina para não falar outra coisa..
Argo é um nome que ficou bem consolidado no mercado, ainda mais que substituiu modelos de sucesso como Uno e Palio. Acho que faz todo sentido batizar o novo carro com o nome antigo. A depender dos preços, que possivelmente será mais caro que o atual Argo e será mais próximo do Tera, a tendência é que venda bem.
Não desvalorizar o atual Argo??? Isso não justifica!!!
O que valoriza um carro na revenda é a boa reputação do modelo e a facilidade em se achar peças de reposição, mesmo ele já tendo saído de linha.
Por outro lado lançar um modelo totalmente novo com o nome antigo, pode ofuscar a novidade e de certa maneira acarretar uma não-valorização ao modelo estreante.
Concordo que o nome Panda não emplaque muito por aqui, mas a FIAT tem sabido ser criativa tanto com os seus modelos quanto com os respectivos nomes. Palio e Argo que o digam em suas respectivas épocas.