Fórmula 1 volta à África em uma pista que ainda nem existe, e o país escolhido surpreendeu
Acordo de dez anos leva a categoria a Ruanda, que terá pista de 6 km construída do zero perto da capital; estreia fica para o início da próxima década
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 13/10/2026 às 18h00
A Fórmula 1 está de volta à África. A categoria anunciou nesta terça-feira (13) um acordo de dez anos com Ruanda para um novo Grande Prêmio da África.
A estreia está prevista para o início da próxima década e marcará a primeira etapa no continente desde 1993, ano em que o circuito de Kyalami, na África do Sul, recebeu a última corrida da categoria.
Ao contrário do que esperavam muitos fãs, a escolha não foi pela África do Sul, que fazia campanha pela volta de Kyalami. O ministro do Esporte sul-africano, Gayton McKenzie, diz acreditar que o país também receberá corridas em breve.
Pista será construída do zero
O plano vencedor prevê um circuito novo em Bugesera, a cerca de 40 km ao sul da capital de Ruanda, Kigali, ao lado do novo aeroporto internacional.
Projetada para cumprir as exigências da licença Grau 1 da FIA, obrigatória para receber a categoria, a pista terá 6 km e 17 curvas e aproveitará o relevo acidentado da região, com 197 m de desnível por volta, segundo a F1.
O projeto inclui ainda um plano de desenvolvimento econômico, infraestrutura e turismo, com um complexo para eventos o ano inteiro.
Com a nova etapa, o Mundial passará a correr em todos os continentes habitados. Segundo a F1, a África tem mais de 100 milhões de fãs, e perto de 60% deles nos principais mercados subsaarianos têm menos de 35 anos.
Acusações de sportswashing
A aposta do governo de Paul Kagame, porém, é polêmica. A Anistia Internacional classifica as parcerias esportivas do país como sportswashing, o uso do esporte para melhorar a imagem de um país e desviar a atenção de violações de direitos humanos. As autoridades ruandesas rejeitam a acusação.
Em 2025, a República Democrática do Congo chegou a pedir à F1 que encerrasse as negociações, citando o apoio de Ruanda aos rebeldes do M23, acusação também feita pela ONU. Ruanda diz que sua atuação militar é defensiva.
Stefano Domenicali, CEO da Fórmula 1, chamou o acordo de momento histórico e afirmou que a África sempre fez parte do futuro da categoria.
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